O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, voltou a minimizar neste domingo (27) a crise humanitária em Gaza, ao negar a existência de fome no território palestino mesmo diante de imagens e relatos que escandalizaram a comunidade internacional. Durante uma conferência cristã em Jerusalém — marcada por tons ideológicos favoráveis ao governo israelense —, Netanyahu afirmou que Israel estaria cumprindo suas obrigações legais ao permitir a entrada de ajuda humanitária. “Permitimos a entrada da quantidade exigida pelo direito internacional [...] já fornecemos quase 2 milhões de toneladas de alimentos”, disse o premiê, tentando justificar a atuação de seu governo sob pressão global.
A fala de Netanyahu contrasta frontalmente com as denúncias feitas por agências da ONU, organizações humanitárias e profissionais de saúde que atuam no território sitiado, onde crianças têm morrido de inanição e a distribuição de alimentos é sabotada por bombardeios ou bloqueios. O premiê ainda alegou que há “centenas de caminhões esperando” para cruzar a passagem de Kerem Shalom — uma retórica que, segundo críticos, transfere a culpa pela tragédia humanitária para os próprios palestinos, sem reconhecer o controle israelense sobre as fronteiras de Gaza.
Neste mesmo domingo, Israel anunciou a suspensão parcial das operações militares em áreas de Gaza por 10 horas diárias, supostamente para permitir a passagem de ajuda. A medida ocorre após uma enxurrada de críticas internacionais e iniciativas paralelas de países como Jordânia e Emirados Árabes Unidos, que passaram a lançar suprimentos por via aérea diante da ineficácia da logística terrestre controlada por Israel.
Enquanto isso, as negociações de cessar-fogo em Doha entre Israel e Hamas foram interrompidas, sem perspectivas de retomada.