Não gosto de Neymar, mas ele não merece jornalismo feito com fígado

Neymar, com suas escolhas, companhias, atitudes, perdeu muito do apoio popular que tinha no início da carreira, mas é preciso separar o jogador admirável do cidadão desprezível

Por Menon, colunista, na Fórum

Eu não gosto de bilionários.

Eu não gosto de extrema direita.

Eu não gosto de bilionário que apoia candidatos de extrema direita.

Eu não gosto de jogador que finge contusão.

Eu não gosto de quem tem um dom e não se dedica a ele, não o preserva. Ao contrário, o delapida.

Eu não gosto de Neymar.

Mas eu escrevo sobre futebol e preciso ser honesto com quem lê o que escrevo.

Não posso, ao ver um gol de Neymar, ficar pensando que ele apoiou o Assassino da COVID ou o Genocida de Gaza. Ou vice-versa.

É difícil, mas não posso cair em tentação.

Não dá para ser contra o apelido de Príncipe porque Neymar trocou ofensas com Luana Piovani.

Não é preciso lembrar o descaso de Neymar com seus tratamentos para elogiar a longevidade do goleiro Fábio.

É injusto colocar nas costas de Neymar a irregularidade de Vinícius Jr. Ele que arranje outro ídolo que as coisas vão melhorar. Patético.

A sanha contra Neymar no fundo é mau jornalismo.

Luto contra ela diariamente.