Morre o jornalista Ebrahim Ramadan, editor por 18 anos do Notícias Populares

A causa da morte não foi divulgada

O jornalista Ebrahim Ramadan morreu aos 91 anos, em São Paulo. Ex-editor do Notícias Populares por quase duas décadas, marcou o jornalismo brasileiro ao reformular a linha editorial do periódico, ampliar sua popularidade e influenciar gerações de profissionais. A causa da morte não foi divulgada.

O que aconteceu

Ebrahim Ramadan morreu na quarta-feira (1º), em São Paulo, aos 91 anos. A causa da morte não foi informada. Editor do Notícias Populares (NP) entre 1972 e 1990, ele foi um dos principais responsáveis pela consolidação do jornal como um dos periódicos populares mais conhecidos do país.

Ramadan assumiu o comando do NP a convite de Octavio Frias de Oliveira, após passagens pela Folha, Folha da Tarde e Jornal do Brasil. Na Folha da Tarde, onde assinava crônicas com o pseudônimo Luiz Lima, conquistou leitores a ponto de motivar um abaixo-assinado quando deixou de escrever.

À frente do NP, reorganizou a linha editorial, ampliou a circulação do jornal e abriu espaço para diferentes vozes da sociedade, com colunas de personalidades como Chico Xavier e Luiz Inácio Lula da Silva, então líder sindical. Também ficou marcado pela cobertura da série do "Bebê-Diabo", publicada em 1975, que se tornou um fenômeno de vendas.

Colegas o descrevem como um mestre, humanista e incentivador do jornalismo popular, destacando sua capacidade de tornar temas complexos mais acessíveis e sua valorização da diversidade, incluindo espaço para pautas da comunidade LGBTQIA+.

Natural de Cedral (SP), Ramadan formou-se pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo em 1971, foi professor da Faculdade Cásper Líbero e publicou três livros de poesia. Aposentou-se ao deixar o NP. Viúvo de Yolanda Minin Ramadan, deixa os filhos Páris Minin Ramadan e Nancy Nuyen Ali Ramadan. O velório e o sepultamento ocorreram na quinta-feira (2), no Cemitério da Vila Mariana, em São Paulo.