Morreu às 5h deste sábado (2), vítima de infarto, o jornalista José Roberto Dias Guzzo, conhecido como J.R. Guzzo. Ele tinha 82 anos e atuava como colunista da Revista Oeste, publicação da qual também foi um dos fundadores.
Paulistano de nascimento, Guzzo teve uma longa e marcante trajetória na imprensa brasileira. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, iniciou a carreira nos anos 1960 e passou por alguns dos principais veículos do país. Seu nome se consolidou à frente da revista Veja, onde ocupou o cargo de diretor de redação entre 1976 e 1991 — período em que a publicação atingiu recordes de circulação e influência.
Na Editora Abril, também teve papel destacado na revista Exame, transformando-a na publicação mais rentável do grupo, em termos proporcionais. Sua saída da editora, contudo, foi seguida de controvérsias. No livro Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti, Guzzo é citado em um episódio envolvendo acusações de corrupção. Após um período como colunista da própria Veja, foi demitido em 2017 após escrever um artigo com ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
A resposta de Gilmar, enviada ao então diretor da revista, André Petry, foi publicada posteriormente no livro Os Onze, de Felipe Recondo e Luiz Weber. Nela, o ministro acusava Guzzo de irresponsabilidade e levantava questionamentos sobre a presença do jornalista nos Panama Papers, citando supostas contas em offshores não declaradas à Receita Federal.
Nos últimos anos, Guzzo se alinhou ao campo ideológico da extrema-direita brasileira e tornou-se uma das vozes mais influentes do bolsonarismo na imprensa. Em 2020, ajudou a fundar a Revista Oeste, onde atuava como conselheiro editorial e principal colunista.
Com sua morte, encerra-se uma trajetória de mais de seis décadas no jornalismo político, marcada por momentos de prestígio na grande imprensa, controvérsias públicas e, mais recentemente, um engajamento explícito com pautas conservadoras e autoritárias.