Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de grandes sucessos da TV

Autor de clássicos da teledramaturgia brasileira deixa um legado marcado por grandes sagas e histórias que retrataram o campo, a imigração e o amor

Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, nesta terça-feira (7), em São Paulo, em decorrência de complicações causadas por insuficiência renal crônica. Autor de novelas que marcaram gerações, ele deixa um legado de obras que transformaram a teledramaturgia brasileira e continuam presentes na memória do público.

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O que aconteceu

Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos nesta terça-feira (7), na capital paulista. Segundo confirmação do Hospital do Coração (HCor) ao g1, a causa da morte foram complicações decorrentes de insuficiência renal crônica.

No início deste ano, o autor permaneceu internado por 19 dias no HCor para tratar uma infecção urinária associada ao quadro de insuficiência renal crônica. Ele recebeu alta hospitalar em 22 de janeiro.

Reconhecido como um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira, Benedito Ruy Barbosa construiu uma carreira marcada por novelas em formato de saga, retratando o universo rural, a imigração italiana e histórias de amor que atravessam gerações.

Nascido em 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, interior de São Paulo, passou a infância em Vera Cruz, região de cafezais com forte presença de imigrantes japoneses e italianos. Após perder o pai ainda na infância, começou a trabalhar cedo para ajudar no sustento da família, experiência que influenciou profundamente sua produção literária e televisiva.

Antes de se dedicar à televisão, atuou no jornalismo e na publicidade. Trabalhou como revisor no jornal O Estado de S. Paulo, foi repórter esportivo na Última Hora, passou pela Gazeta Esportiva e também exerceu a função de redator publicitário. Em 1959, seu romance Fogo Frio foi adaptado para o teatro em montagem dirigida por Augusto Boal e recebeu prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte.

Na televisão, estreou como autor em 1971 com Meu Pedacinho de Chão, exibida pela Globo e pela TV Cultura. Em 1976, assinou contrato com a Globo, onde escreveu O Feijão e o Sonho, dando início à sua trajetória no horário das 18h. Na sequência vieram À Sombra dos Laranjais (1977) e Cabocla (1979).

Ao longo da década de 1980, escreveu novelas como Paraíso (1982), Voltei pra Você (1983), De Quina pra Lua (1985), Sinhá Moça (1986) e Vida Nova (1988). Também participou da reformulação de episódios do seriado Sítio do Picapau Amarelo.

Nos anos 1990, consolidou seu nome entre os principais autores da televisão brasileira. Em 1990, escreveu Pantanal para a TV Manchete, obra que alcançou grande sucesso e abriu caminho para seu retorno à Globo, onde lançou Renascer em 1993.

Em 1996, apresentou O Rei do Gado, centrada na rivalidade entre famílias de imigrantes italianos. Depois vieram Terra Nostra (2000), que retratou a chegada de italianos ao Brasil, e Esperança (2002), novamente abordando a imigração.

Na sequência da carreira, assinou a minissérie Mad Maria (2005), o remake de Sinhá Moça (2006), uma nova versão de Paraíso (2009), reescreveu Meu Pedacinho de Chão em 2014 e voltou ao horário nobre com Velho Chico em 2016.

Nos últimos anos, parte de sua obra ganhou novas adaptações pelas mãos do neto, Bruno Luperi. Pantanal retornou à televisão em 2022 e, posteriormente, Renascer também recebeu uma nova versão.

Com personagens marcados pela coragem, honestidade e perseverança, Benedito Ruy Barbosa deixa uma contribuição decisiva para a dramaturgia brasileira, influenciando gerações de autores e conquistando o público com histórias que permanecem como referência na televisão nacional.