Minas Gerais: berço de gigantes, vítima de um governante pequeno

Até quando Minas Gerais suportará ver sua grandeza diminuída por um governante tão insignificante?

Minas Gerais é mais do que um estado: é um espelho da alma brasileira. De suas montanhas e vales nasceram personagens que moldaram nossa identidade e nosso futuro. Foi em Vila Rica que Tiradentes ergueu a voz contra a tirania, tornando-se mártir da liberdade. Foi nas terras mineiras que Xica da Silva, com sua trajetória singular, desafiou convenções sociais e raciais de seu tempo. De lá também saíram figuras como Guimarães Rosa, que deu à literatura brasileira uma linguagem universal, e Juscelino Kubitschek, o presidente visionário que sonhou e construiu Brasília. Tancredo Neves, símbolo da transição democrática, e Pelé, o maior atleta do século, também estão na galeria de mineiros que dignificaram o Brasil. Minas é berço de música, poesia, política e resistência. Minas é grande.

Diante dessa herança, cabe uma pergunta inevitável: como um estado tão rico em história, cultura e grandeza pôde eleger alguém tão pequeno como Romeu Zema?

O atual governador parece não compreender a dimensão humana da política. Recentemente, ao comparar moradores de rua a carros estacionados em locais proibidos, Zema reduziu seres humanos – que sofrem, sentem fome, frio e abandono – a objetos inanimados que atrapalham o trânsito. Na sua lógica, se um carro é guinchado, um morador de rua poderia ser igualmente “removido”. Uma fala desumana, preconceituosa e indigna de quem ocupa o cargo de chefe do segundo estado mais populoso do país.

Mas não foi a primeira vez que Zema proferiu asneiras. Desde que assumiu o governo, acumulou declarações que demonstram despreparo e indiferença. Ao minimizar os riscos da pandemia, sugeriu que a Covid-19 era “apenas uma gripezinha” para a maioria, ecoando o negacionismo bolsonarista. Noutra ocasião, insinuou que a ditadura militar brasileira teria aspectos positivos, como se a tortura e a censura pudessem ser relativizadas. Mais recentemente, defendeu a ideia absurda de que “o pobre deve se virar”, deixando claro seu desprezo pelos mais vulneráveis.

Zema se apresenta como gestor eficiente, mas sua visão de mundo é estreita, rasa e elitista. Minas, que já deu ao Brasil estadistas, escritores, artistas e líderes populares de envergadura histórica, hoje é governada por alguém que não honra sua tradição. É um paradoxo doloroso: a terra de gigantes está sob comando de um político menor, incapaz de enxergar a dignidade humana para além das planilhas de um balanço empresarial.

A pergunta que fica é: até quando Minas Gerais suportará ver sua grandeza diminuída por um governante tão insignificante?