O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a causar polêmica neste sábado (26) ao viralizar nas redes sociais com um vídeo no qual se refere ao ex-presidente norte-americano Donald Trump como “meu chefe”. A declaração, feita durante uma entrevista ao site de ultradireita Canal Oeste, gerou críticas imediatas, especialmente por escancarar a subserviência do parlamentar brasileiro à extrema-direita dos Estados Unidos.
“Está cantando musiquinha quem tem medo do lobo mau. Vocês acham que o meu chefe, presidente Trump… eu estou me colocando no lugar da autoridade americana aqui”, afirmou Eduardo, em trecho que circula amplamente nas plataformas digitais. O comentário, classificado por muitos como um “ato falho”, remete ao conceito freudiano de parapraxia, em que o inconsciente escapa involuntariamente. No entanto, o comportamento do filho “03” de Jair Bolsonaro vai além de um deslize: trata-se de um alinhamento deliberado e militante com o trumpismo.
A bajulação a Trump se estende pelas redes sociais. No mesmo sábado, Eduardo compartilhou uma postagem de Donald Trump Jr. celebrando o 4 de Julho, Dia da Independência dos EUA, com um meme que ironiza o poder judicial. A publicação reforça o desprezo da família Bolsonaro por instituições democráticas e busca replicar a retórica de rebelião da ultradireita norte-americana no contexto brasileiro.
Na véspera, Eduardo já havia feito outra postagem considerada absurda por especialistas em política e economia. “É impressionante que políticos se movam mais orientados por questões econômicas do que de liberdade. O Brasil não está no estágio que se encontra à toa”, escreveu ele, ignorando completamente as complexas dinâmicas da geopolítica internacional e a dependência brasileira de relações comerciais sólidas.
Após meses em “licença médica” — período em que permaneceu nos Estados Unidos articulando ataques à democracia brasileira —, Eduardo reassumiu o mandato na Câmara dos Deputados, mas continua agindo como um agente estrangeiro. Em suas falas mais recentes, sugeriu que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), poderiam sofrer sanções do governo Trump caso não avancem com pautas de interesse da extrema-direita.
Eduardo associou diretamente a possível aprovação do projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro às sanções econômicas impostas por Trump ao Brasil, numa tentativa explícita de chantagear o Congresso Nacional. “Relembro aqui que quando Rodrigo Pacheco [ex-presidente do Senado] perdeu o visto, foi porque não pautou nenhuma das dezenas de pedidos de impeachment. Fez parte desse aparato que sustentou o regime brasileiro”, declarou. E acrescentou: “Davi Alcolumbre não está nesse estágio ainda, mas certamente está no foco do governo americano. E também Hugo Motta, por conta da anistia”.
Ignorando completamente os interesses do Brasil, Eduardo parece não compreender — ou finge não compreender — que o apoio de Trump ao clã Bolsonaro não passa de um pretexto para que os Estados Unidos ampliem sua influência sobre os recursos estratégicos brasileiros, como as jazidas de terras raras. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, essenciais para a transição energética global, atrás apenas da China. A atuação de Eduardo nos EUA, portanto, mais do que um ato de lealdade ideológica, é uma ameaça direta à soberania nacional.
Já o deputado federal do Piauí, pelo PT, Merlong Solano disse que "Eduardo Bolsonaro inaugurou a embaixada da traição! É inaceitável um deputado brasileiro ir morar nos Estados Unidos e de lá se articular para prejudicar o seu país e todo o povo que votou nele. Um lesa-pátria, que conspira contra o seu país para garantir impunidade para a sua família, tem que responder pelos seus atos."
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