Messi ou Pelé, quem é o maior? Um argentino responde!

De alguns anos para cá, ganha força uma tentativa de reduzir a dimensão de Pelé e apagar a imagem do brasileiro como o maior jogador da história do futebol

De alguns anos para cá, ganha força uma tentativa de reduzir a dimensão de Pelé e apagar a imagem do brasileiro como o maior jogador da história do futebol. O movimento pode ter novos desdobramentos, mas ficou ainda mais evidente antes e durante a Copa do Mundo de 2026, quando até critérios adotados pela Fifa passaram a ser usados para diminuir os números alcançados pelo Rei do Futebol.

Grande parte da crônica esportiva brasileira considera que Pelé marcou 1.282 gols durante sua trajetória como atleta. A própria Fifa, no passado, reconheceu publicamente a marca histórica do brasileiro.

Em 1969, quando Pelé chegou ao milésimo gol, o então presidente da entidade, Stanley Rous, assinou um diploma oficial em homenagem ao feito. Décadas depois, porém, a Fifa passou a divulgar números diferentes, considerando apenas os gols marcados em partidas classificadas como oficiais.

Por que os gols de Pelé foram reduzidos?

O número de 767 gols adotado pela FIFA e atribuído a Pelé não foi produzido por um banco de dados histórico próprio da Fifa. A estatística foi calculada por pesquisadores da RSSSF — Rec.Sport.Soccer Statistics Foundation —, organização independente fundada em 1994.

A entidade começou a catalogar, de forma voluntária e retroativa, os números do futebol mundial. Para isso, adotou um critério rígido: somente seriam contabilizados gols marcados em competições oficiais, como campeonatos nacionais, copas e partidas entre seleções principais.

Com essa metodologia, mais de 500 gols anotados por Pelé em amistosos e excursões internacionais do Santos foram excluídos da contagem.

A decisão ignora o contexto do futebol daquele período. Nas décadas de 1950, 1960 e 1970, as excursões internacionais eram fundamentais para os grandes clubes. O Santos de Pelé enfrentava algumas das equipes mais importantes da Europa e de outros continentes, muitas vezes diante de estádios lotados e com enorme repercussão internacional.

Não se tratava, portanto, de jogos recreativos ou partidas sem relevância. Eram confrontos disputados em alto nível e decisivos para a projeção mundial do Santos, de Pelé e do próprio futebol brasileiro.

Copa do Mundo de 2026 reacendeu debate entre Pelé e Messi

A Copa do Mundo de 2026 trouxe novamente à tona a discussão sobre quem seria o maior jogador de futebol de todos os tempos. Desta vez, Lionel Messi apareceu como o principal nome apresentado para ocupar definitivamente o lugar historicamente reservado a Pelé.

A Argentina chegou à final do Mundial, e o cenário parecia preparado para uma grande consagração do jogador argentino. Uma nova conquista da Copa seria utilizada como argumento para colocar Messi acima de Pelé e também de Diego Maradona.

No entanto, havia um obstáculo no caminho argentino: a seleção da Espanha. Ao derrotar a Argentina na decisão, a equipe espanhola encerrou o sonho do bicampeonato consecutivo e frustrou a apoteose preparada em torno de Messi.

A derrota não reduz a extraordinária carreira do argentino, um dos maiores jogadores da história. Mas impediu que a Copa de 2026 fosse transformada no ato final de uma narrativa destinada a retirar de Pelé o posto de maior nome do futebol mundial.

Segundo um argentino famoso, Pelé é o maior da história

O professor e pesquisador Daniel Cara, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, resumiu parte dessa discussão em uma publicação nas redes sociais.

Corintiano declarado, ele compartilhou em sua conta no X um vídeo no qual uma personalidade argentina era questionada sobre quem teria sido o maior jogador de todos os tempos: Lionel Messi ou Diego Maradona.

A resposta contrariou a rivalidade construída em torno dos dois ídolos argentinos. O entrevistado afirmou que Messi e Maradona haviam sido grandes jogadores, mas que o maior de todos era Pelé.

O argentino responsável pela declaração era o Papa Francisco.

Nos comentários da publicação, Daniel Cara explicou que ele próprio produziu a edição do vídeo, acrescentando imagens e música com o auxílio de recursos de inteligência artificial.

A declaração do pontífice argentino reforça uma percepção que atravessou gerações e fronteiras. Pelé não foi apenas um grande artilheiro ou um jogador vitorioso. Ele transformou o futebol, projetou o Brasil internacionalmente e se tornou a principal referência mundial do esporte no século XX.

Os critérios estatísticos podem mudar, e diferentes gerações sempre defenderão seus próprios ídolos. A história, porém, continua reservando a Pelé um lugar que nenhuma revisão de números consegue apagar.