Mendonça abre novo inquérito contra Lulinha; Lula rompe o silêncio e faz declaração contundente

Agora, a Polícia Federal sustenta que o suposto tráfico de influência teria ocorrido junto ao Ministério da Saúde

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a abertura de um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A investigação foi solicitada pela Polícia Federal (PF) para apurar suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas à comercialização de cannabis medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde.

A decisão marca uma nova frente de investigação envolvendo Lulinha, poucas semanas após o encerramento do primeiro inquérito da Operação Sem Desconto. Na ocasião, a Polícia Federal indiciou 48 pessoas por um esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS, mas não encontrou elementos que justificassem o indiciamento do filho do presidente, apesar da pressão de parlamentares da oposição para vinculá-lo ao caso.

Durante aquela apuração, a PF investigou a suspeita de que Lulinha teria recebido recursos de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado como um dos operadores do esquema. A quebra de sigilo bancário identificou movimentação de aproximadamente R$ 19,5 milhões entre janeiro de 2022 e janeiro de 2025, valores compatíveis com a atividade das empresas LLF Tech Participações e G4 Entretenimento e Tecnologia, sem identificar repasses considerados ilícitos.

Nova linha de investigação

Agora, a Polícia Federal sustenta que o suposto tráfico de influência teria ocorrido junto ao Ministério da Saúde. A investigação busca esclarecer uma possível atuação conjunta de Lulinha e da empresária Roberta Luchsinger em favor da empresa World Cannabis, que também teria ligação com o "Careca do INSS".

Defesa questiona abertura do inquérito

Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva informou que ainda não teve acesso formal aos autos e, por isso, não comentaria o mérito da investigação. Os advogados, porém, questionam a competência do STF para conduzir o caso e afirmam que a abertura de um novo inquérito demonstra que as investigações anteriores não encontraram qualquer ligação entre Lulinha e as fraudes no INSS.

O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que a Polícia Federal recuperou sua autonomia institucional durante o governo Lula, mas alertou que essa independência deve ser exercida com responsabilidade. Segundo ele, a abertura de uma nova investigação pode transmitir a impressão de uma "pesca probatória" (fishing expedition), quando autoridades procuram indícios de crime sem elementos concretos previamente identificados.

Defesa de Roberta Luchsinger também reage

Os advogados de Roberta Luchsinger afirmaram não ter conhecimento do novo inquérito e destacaram que os fatos já teriam sido analisados em investigações anteriores. Para a defesa, a reabertura do caso, às vésperas do processo eleitoral, não se justifica e pode favorecer a exploração política do tema.

Lula diz que filho não terá tratamento privilegiado

Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou pela primeira vez a investigação autorizada pelo STF. Lula afirmou que não utilizará o cargo para interferir nas apurações e declarou que o filho será tratado como qualquer outro cidadão. "Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu fui tratado. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei a um delegado ou a um juiz que não faça as coisas corretas."

O presidente afirmou que apoiará o filho caso ele consiga provar sua inocência, mas ressaltou que, se houver culpa, deverá responder perante a Justiça. "Se ele estiver certo, vai ter a minha ajuda. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu sei. Não vão usar meu cargo para proteger o Lulinha. Ele vai ter que provar que é inocente, como eu provei. E, se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra."

Lula também declarou confiar na versão apresentada por Fábio Luís e afirmou que o filho garante ser inocente. Segundo o presidente, caso seja chamado pela Justiça, Lulinha retornará da Espanha para prestar esclarecimentos.

Ao recordar os impactos da Operação Lava Jato sobre sua família, Lula afirmou que o filho acompanhou de perto o período em que foi acusado de corrupção e reforçou que, justamente por conhecer essa experiência, "não tem o direito de errar".