Pelo menos três médicos que atuaram exclusivamente no atendimento ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua prisão no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal afirmam que ainda não receberam pelos plantões realizados entre janeiro e março deste ano. Segundo os profissionais, os pagamentos deveriam ter começado em fevereiro, mas, após mais de quatro meses, nenhum valor foi depositado.
O que aconteceu
Os médicos, servidores da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), foram convocados para atuar em regime de Trabalho por Período Definido (TPD), modalidade de jornada extra remunerada, após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para garantir assistência médica 24 horas ao ex-presidente.
De acordo com os relatos, os profissionais permaneceram cerca de dois meses dedicados exclusivamente ao atendimento de Bolsonaro durante os 57 dias em que ele esteve preso na unidade militar. A rotina incluía avaliações frequentes, monitoramento noturno e acompanhamento constante, com apoio de um técnico de enfermagem. Um dos médicos afirma ter acumulado aproximadamente R$ 15 mil em valores pendentes.
Segundo os servidores, surgiram dificuldades no registro da frequência porque não havia acesso aos sistemas habituais de controle de ponto da SES-DF dentro do batalhão. Inicialmente orientados a receber pelo sistema TPD, os profissionais registravam os plantões em um livro de ocorrências da unidade.
Após constatarem a ausência dos pagamentos nos contracheques, buscaram orientação da Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SUGEP) e protocolaram a documentação exigida no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Posteriormente, a SES-DF informou que o procedimento teria sido realizado de forma incorreta, justificativa contestada pelos médicos, que alegam ter seguido as orientações recebidas.
Os plantões foram encerrados em 26 de março, quando Bolsonaro passou para prisão domiciliar. Até a publicação da reportagem, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal não havia se manifestado sobre o caso. Diante da demora, os profissionais estudam adotar medidas judiciais para garantir o pagamento dos serviços prestados.