O senador Marcos do Val (Podemos-ES) desembarcou no Brasil na manhã desta segunda-feira (4) e foi imediatamente submetido à instalação de uma tornozeleira eletrônica. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e executada pela Polícia Federal no Aeroporto de Brasília.
A decisão é consequência do descumprimento de restrições impostas anteriormente pelo STF. Investigado por suposta tentativa de interferência nas eleições presidenciais de 2022 e por ataques a investigadores da Polícia Federal, Do Val havia sido proibido de deixar o país e teve todos os passaportes — inclusive o diplomático — ordenados para apreensão. Apesar disso, o parlamentar deixou o Brasil por Manaus com um passaporte diplomático que não foi recolhido pelas autoridades, e viajou para os Estados Unidos, onde permaneceu por alguns dias em Orlando.
Durante o período fora do país, o senador alegou estar em férias com a filha e afirmou que sua viagem teria sido comunicada previamente ao Supremo, algo que não foi reconhecido pela Corte. As justificativas apresentadas por Do Val não convenceram os ministros, que consideraram a saída do país uma violação direta às determinações judiciais.
Diante da reincidência, Moraes impôs a tornozeleira eletrônica como forma de monitoramento mais rígido. Em agosto de 2024, o ministro já havia determinado o bloqueio de R$ 50 milhões em bens do senador e autorizado buscas em sua residência e gabinete parlamentar. Apesar disso, o passaporte diplomático permaneceu em sua posse, o que facilitou a viagem recente e gerou críticas por parte de integrantes do Judiciário e da sociedade civil.
O retorno de Do Val ao Brasil foi acompanhado de perto por curiosos e jornalistas. A jornalista Inês Cunha, do podcast As Cunhãs, relatou nas redes sociais que um conhecido presenciou o momento em que o senador desembarcou em Brasília.
A nova fase da investigação deve contar com medidas de vigilância mais severas, enquanto o STF avalia a extensão das infrações cometidas pelo parlamentar.