Marcha para Exu – o guardião dos caminhos, da comunicação e da vitalidade

Uma multidão de preto e vermelho lotou a avenida Paulista em manifestação das religiões de matrizes africanas

No domingo (17), a Avenida Paulista foi palco da 3ª edição da Marcha para Exu. Vestidos em preto e vermelho, milhares de participantes celebraram fé, cultura e resistência, transformando um dos principais pontos turísticos de São Paulo em um grande terreiro a céu aberto.

Idealizada por Jonathan Pires, a marcha reuniu espiritualidade e solidariedade. Além dos cantos, toques de atabaque e danças, o evento incentivou a doação de alimentos não perecíveis, destinados a instituições de caridade. A caminhada reafirmou o papel central das religiões de matriz africana na vida urbana e cultural da cidade.

Fé, resistência e enfrentamento ao preconceito religioso

Com o lema “Nunca foi sorte, sempre foi macumba”, a marcha denunciou o racismo religioso e confrontou o estigma que associa Exu a figuras demonizadas pela leitura colonial e cristianizada da história. Em resposta, a manifestação exaltou Exu como orixá dos caminhos, da comunicação e da vitalidade — símbolo da força e da permanência das tradições afro-brasileiras.

Segundo o organizador Jonathan Pires, o evento é muito mais do que uma manifestação religiosa.

“A Marcha para Exu não é qualquer manifestação. É um grito de existência, de resistência e de liberdade. É o momento em que a fé ocupa as ruas, em que a espiritualidade caminha de cabeça erguida, rompendo com séculos de silenciamento”, afirmou.

Após o encerramento do ato, Pires destacou a importância histórica do momento:

“Hoje a história foi escrita na Avenida Paulista. Mais de 800 mil vozes ecoaram juntas em nome de Exu e Pombogira. O amor venceu o preconceito, a fé venceu a intolerância. A Marcha para Exu é gigante, porque Exu é caminho, é vida, é resistência! Laroyê!”

Crescimento e reconhecimento

A crescente visibilidade dessas tradições religiosas também se reflete nos números. Segundo o IBGE, a porcentagem de brasileiros que se declaram seguidores da umbanda ou do candomblé passou de 0,3% em 2010 para 1% em 2022.

Assim, a Marcha para Exu se consolida não apenas como um ato de fé, mas como uma potente afirmação da cultura afro-brasileira enquanto patrimônio vivo e pulsante.

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