Manifestação da esquerda supera ato bolsonarista na Avenida Paulista e cobra justiça tributária

Organizado por movimentos sociais, centrais sindicais e lideranças de esquerda, o protesto realizado ontem, em SP, reuniu mais participantes do que o ato convocado por Jair Bolsonaro no último dia 29 de junho

Organizado por movimentos sociais, centrais sindicais e lideranças de esquerda, o protesto realizado nesta quinta-feira (10), na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu mais participantes do que o ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no último dia 29 de junho. De acordo com levantamento do Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), vinculado à Universidade de São Paulo (USP), a manifestação desta semana chegou ao pico de 15,1 mil pessoas por volta das 19h30, superando os 12,4 mil participantes do ato bolsonarista, contabilizados com a mesma metodologia — que utiliza imagens de drones e análise por software em parceria com a ONG More in Common.

O protesto foi convocado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, além do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), e teve como principal pauta a cobrança de justiça tributária. Entre as demandas levantadas, estavam a taxação de bilionários, bancos e casas de apostas — grupo apelidado de “BBB” pelos organizadores — e a defesa de medidas como o fim da escala 6×1 e a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, proposta que tramita atualmente na Câmara dos Deputados. Um dos principais nomes à frente do ato, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) classificou a mobilização como “a maior de 2025”, embora os dados do Monitor apontem que o recorde do ano ainda pertence a um ato bolsonarista ocorrido em abril, com 44,9 mil pessoas.

O tom dos discursos também refletiu o início da articulação política da esquerda para as eleições de 2026. Boulos, um dos cotados para disputar a Prefeitura de São Paulo, declarou que “a vitória política passa por manter viva essa mobilização nas ruas e nas redes” e disse esperar, ainda em 2025, a prisão de Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. O presidente norte-americano Donald Trump, que recentemente anunciou um tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras, também foi alvo de críticas e chegou a ser representado em um boneco queimado por manifestantes.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), igualmente foi citado nos protestos. Tarcísio endossou recentemente uma publicação de Trump em apoio a Bolsonaro, o que foi interpretado por militantes petistas como alinhamento político com os interesses do ex-presidente norte-americano, acusado de retaliar o Brasil em razão da situação judicial de Bolsonaro. Durante o ato, foram ouvidos gritos de “Cala a boca, Tarcísio” e “vira-lata”, em referência ao governador paulista.

A mobilização desta quinta-feira teve início às 18h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e ocupou as duas faixas da Avenida Paulista. Enquanto os dados oficiais apontaram 15,1 mil pessoas, os organizadores estimaram cerca de 20 mil presentes. Uma semana antes, integrantes das mesmas frentes já haviam ocupado a sede do banco Itaú BBA, na Avenida Faria Lima, com faixas como “O povo não vai pagar a conta”, “chega de mamata” e “taxação dos super-ricos”. O gesto antecipava o tom da manifestação maior que ganharia as ruas da capital paulista.