Lula vê Motta sem rumo e amplia temor sobre Câmara em 2026

Aliados de Lula afirmam que o presidente perdeu a confiança no presidente da Câmara, Hugo Motta.

Aliados de Lula afirmam que o presidente perdeu a confiança no presidente da Câmara, Hugo Motta. Decisões inesperadas e votações polêmicas reforçaram a imagem de instabilidade do parlamentar. Tentativas de aproximação política não avançaram, ampliando a desconfiança do Planalto. O governo avalia que Motta desagradou diferentes campos políticos e enfraqueceu sua liderança. A preocupação de Lula se estende a 2026, diante de um Congresso mais conservador.

O que aconteceu 

O presidente Lula (PT) passou a encarar com reservas a condução da Câmara dos Deputados sob Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo aliados, episódios recentes revelaram um comando imprevisível, como a votação de projetos de madrugada e a condução simultânea de processos de cassação de parlamentares. Para o Planalto, essas atitudes indicam falta de direção e insegurança política.

Embora evite críticas públicas por respeito institucional, Lula deixou de confiar em Motta. Interlocutores relatam que o governo tentou estreitar laços, inclusive acenando com uma possível aliança eleitoral na Paraíba, mas encontrou pouca receptividade. A relação já estava abalada desde julho, quando Motta rompeu um acordo ao acelerar a tramitação de um projeto contra o decreto do IOF, comunicando a decisão pelas redes sociais.

No governo, a avaliação é que a última semana foi especialmente negativa para o presidente da Câmara, que teria perdido apoio tanto de petistas quanto de bolsonaristas e demonstrado fragilidade diante do centrão. A tentativa de cassação do deputado Glauber Braga é citada como exemplo de descontrole, com reações que viraram alvo de críticas internas e ironias.

A tensão se soma às preocupações de Lula com as eleições de 2026. Com minoria no Congresso, o presidente defende ampliar a bancada governista e teme um Legislativo ainda mais conservador. Apesar de aprovar projetos centrais, o governo avalia que o custo político tem sido elevado. Nesse contexto, o PT discute mudanças no sistema eleitoral e incentiva candidaturas para fortalecer a representação partidária e a qualidade do Parlamento.