Reportagem publicada pelo portal UOL mostra que integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm elogiado a postura mais firme do chefe do Executivo diante de temas centrais do debate nacional. Segundo fontes ouvidas pelo veículo, há um entendimento de que Lula “finalmente tomou as rédeas do governo”, após um início de mandato considerado reativo e, em muitos momentos, impotente frente ao Congresso.
A reportagem aponta que episódios recentes, como a judicialização da derrubada do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o veto ao aumento do número de deputados, foram interpretados como sinais de mudança. Em ambas as situações, Lula contrariou o Legislativo, o que gerou reações negativas, mas também trouxe ânimo à base governista, que vinha cobrando um posicionamento mais firme.
De acordo com o UOL, a equipe de comunicação do Planalto trabalhou para transformar a crise do IOF em uma disputa simbólica entre “ricos e pobres” por justiça tributária, recorrendo inclusive a imagens geradas por inteligência artificial para pintar o Congresso como vilão. Já no caso do veto ao aumento de deputados, a avaliação é que Lula aproveitou uma pauta impopular para marcar posição — apesar da tensão com o Parlamento.
Aliados avaliam que o governo finalmente passou da defensiva para a ofensiva. Há expectativa de que essa guinada seja bem recebida nas pesquisas de opinião, já que Lula estaria mantendo coerência com o discurso que o elegeu em 2022. Segundo o UOL, até correntes mais à esquerda do PT, algumas derrotadas nas eleições internas recentes, afirmam que o presidente demorou, mas reencontrou o tom.
A mudança de postura também se refletiu nas reações do governo à imposição de tarifas de 50% aos produtos brasileiros pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump. Enquanto Lula adotou discursos duros e constantes contra a medida, Itamaraty e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) buscaram manter a via diplomática e econômica aberta. Para interlocutores do governo ouvidos pelo UOL, se a negociação der certo, o presidente colherá os bônus; se fracassar, poderá arcar com os custos políticos.
Apesar da nova atitude, integrantes do núcleo palaciano evitam falar em ruptura com o Congresso. A relação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está estremecida — especialmente após a questão do IOF —, mas interlocutores próximos não descartam uma futura reaproximação. Segundo o UOL, Lula teria considerado a condução do caso uma "traição" de ambos os lados.
A reportagem também destaca o papel do marqueteiro Sidônio Palmeira na nova estratégia de comunicação do governo. A ideia é sustentar uma postura mais assertiva até as eleições de 2026, mesmo que isso gere atritos com o Congresso. Para esse grupo, é ao "escolher um lado" que Lula fortalece sua base fiel e pode ampliar seu eleitorado.
Outro ponto levantado pelo UOL é a construção da marca do terceiro mandato de Lula. Ao contrário dos períodos anteriores, o atual governo ainda carecia de uma imagem emblemática. A ideia de um enfrentamento entre "ricos e pobres", com propostas como a taxação de grandes fortunas e isenção de IR para os mais pobres, estaria sendo construída como o novo legado político.
A base petista considera que o governo vive, hoje, um “bom momento”, embora ressalte que o desafio será manter essa trajetória. Assim como o discurso da reconstrução pós-Bolsonaro perdeu força ao longo de 2023, a nova narrativa precisa ser bem calibrada para não gerar desgaste.
O tom mais altivo, como define a reportagem do UOL, também pode deixar Lula mais exposto. Aliados lembram que o cenário político em Brasília muda rapidamente e que qualquer atitude precisa levar em conta a percepção popular sobre a economia.