O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta quinta-feira (20), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), após a aposentadoria do ministro. A decisão foi comunicada pessoalmente durante uma reunião reservada no Palácio da Alvorada, realizada pela manhã, fora da agenda oficial. A formalização do anúncio deve ocorrer ainda hoje, já que Lula cumpre compromissos em São Paulo nesta sexta-feira (21) e, em seguida, viaja para a África do Sul para participar da Cúpula do G20.
A nomeação de Messias ainda depende da aprovação do Senado. Pernambucano do Recife, nascido em 25 de fevereiro de 1980, ele construiu uma trajetória consolidada no serviço público. Formou-se em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 2003, concluiu mestrado em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UnB) em 2018 e obteve doutorado na mesma instituição, em 2024, com pesquisa dedicada ao papel do Centro de Governo e da AGU em cenários de risco global.
Procurador da Fazenda Nacional desde 2007, Messias atuou em órgãos como Banco Central, BNDES e nos ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia. Também integrou a Casa Civil no governo Dilma Rousseff, como subchefe para Assuntos Jurídicos. Em janeiro de 2023, foi escolhido por Lula para comandar a AGU, após liderar a lista sêxtupla apresentada por entidades da carreira.
Messias ganhou projeção nacional em 2016, ao ser identificado como o “Bessias” em áudios vazados da Operação Lava Jato, usados para tentar barrar, de forma ilegal, a nomeação de Lula para a Casa Civil, em meio à perseguição promovida pelo então juiz Sergio Moro. O episódio — recuperado com ironia por Lula em 2022 — acabou se tornando símbolo da relação de confiança entre o presidente e o agora indicado ao Supremo.