Lula cobra diálogo direto com Trump após tarifa de 50% dos EUA

Presidente brasileiro condiciona conversa a contato direto com Trump e critica medidas unilaterais; governo vê retaliação ao sucesso do Pix.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está disposto a conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as tarifas de 50% impostas recentemente a produtos brasileiros. No entanto, interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que esse diálogo só ocorrerá se Trump atender pessoalmente à ligação — uma exigência simbólica que reflete o clima de tensão entre os dois países. As informações são do portal G1.

A proposta de conversa partiu de senadores brasileiros, mas dentro do governo Lula predomina o ceticismo. A avaliação é de que a Casa Branca está deliberadamente adiando qualquer avanço nas negociações até a entrada em vigor das tarifas, marcada para o próximo dia 1º de agosto. A estratégia, segundo analistas do Planalto, visa aumentar o poder de barganha dos Estados Unidos.

Fontes do governo relatam que os canais de comunicação com Washington estão praticamente inoperantes. Apesar de múltiplas tentativas de contato com o Departamento de Comércio, o Tesouro e outras instâncias da administração americana, o Planalto enfrenta dificuldades para estabelecer um diálogo com o núcleo político do governo Trump.

Na última segunda-feira (28), Lula fez um apelo público por diálogo durante a inauguração de uma usina de gás natural no Rio de Janeiro. Sem citar Trump diretamente, o presidente criticou a postura unilateral dos EUA. “Eu espero que o presidente dos EUA reflita sobre a importância do Brasil e resolva fazer aquilo que, no mundo civilizado, a gente faz. Tem divergência? Senta numa mesa... E não de forma abrupta, individual, tomar a decisão de que vai taxar o Brasil em 50%.”

Pix na mira de Washington

Nos bastidores, cresce a percepção de que a insatisfação do governo Trump vai além das tarifas. Assessores do Planalto acreditam que a popularização do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix, vem causando incômodo a grandes empresas financeiras americanas — especialmente operadoras de cartão e bancos digitais, que estariam perdendo mercado.

Um assessor próximo a Lula foi direto: “A soberania não é negociável.” O comentário reforça a posição do governo brasileiro de que não aceitará qualquer tipo de interferência externa, nem em decisões do Supremo Tribunal Federal, nem em sistemas financeiros nacionais como o Pix.

Enquanto isso, o chanceler Mauro Vieira já está nos Estados Unidos, onde cumpre agenda na sede da ONU, em Nova York. Caso haja qualquer sinal de abertura por parte da Casa Branca, ele poderá seguir para Washington para tentar reabrir as negociações comerciais. Até lá, o impasse permanece.