Lula acusa Nikolas de defender crime organizado e amplia críticas à família Bolsonaro

Ao projetar as eleições de 2026, Lula afirmou não temer adversários, mas reforçou que o verdadeiro embate será entre democracia e desinformação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra a oposição nesta sexta-feira (29). Em entrevista à Rádio Itatiaia, o petista acusou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de ter atuado em defesa do crime organizado ao espalhar desinformação sobre mudanças no sistema do Pix.

“Tem um deputado que fez uma campanha contra a mudança que a Receita Federal propôs, e agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado. E nós não vamos dar trégua”, afirmou o presidente, sem citar nominalmente Nikolas, mas deixando clara a referência.

Lula vinculou a atuação do parlamentar às dificuldades enfrentadas pelo governo para ampliar o combate a esquemas financeiros ilegais. O presidente ressaltou que a operação da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo realizada nesta semana foi “a mais importante em 525 anos de história do Brasil”, com foco no chamado “andar de cima” do crime organizado.

“O crime organizado hoje é muito sofisticado. Está na política, no futebol, na Justiça, em tudo quanto é lugar. É uma verdadeira multinacional. Mas nós vamos chegar lá”, disse Lula, ao destacar que a estratégia passa pelo fortalecimento da fiscalização sobre fintechs e pelo cruzamento de dados financeiros.

Recado a Bolsonaro e defesa da PEC da Segurança

Na entrevista, Lula também enviou um aviso direto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Nós vamos mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país, e o ex-presidente que tome cuidado”, declarou.

Segundo ele, o episódio deve reforçar a tramitação da PEC da Segurança no Congresso. “O que aconteceu ontem foi muito importante. Acho que vai facilitar a aprovação da PEC. Queremos saber como o governo federal pode ajudar, junto aos governadores, a fazer a polícia mais eficiente”, completou.

Críticas a Eduardo Bolsonaro

O presidente também direcionou críticas ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a quem chamou de “o maior traidor da história do país”, defendendo a cassação do mandato.

“Não pode exercer o mandato dele. Já falei com o presidente Hugo Motta, com vários deputados. É extremamente necessário cassar Eduardo Bolsonaro, porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história deste país. Aliás, um dos maiores traidores da pátria do mundo”, disse.

Segundo Lula, o filho do ex-presidente atuou contra os interesses nacionais em viagens ao exterior, principalmente nos Estados Unidos, ao lado de Donald Trump.

Julgamento e anistia a Jair Bolsonaro

Sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula afirmou que não pretende acompanhar as sessões e reiterou confiança na Justiça. “Ele vai ser julgado com base nos autos. Se cometeu crime, será punido. Se não cometeu, será absolvido e a vida continua. A Justiça deve valer para todos”, pontuou.

O petista também rejeitou qualquer possibilidade de anistia. “Ninguém foi ainda condenado. O homem não foi nem julgado e já está querendo anistia? Ele já está dizendo que é culpado e quer ser perdoado?”, questionou.

Minas Gerais no centro do tabuleiro político

A entrevista também tratou do cenário eleitoral em Minas Gerais. Lula voltou a defender o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) como candidato ao governo estadual em 2026, classificando-o como a “figura política mais importante de Minas”.

Segundo Lula, Pacheco reúne experiência e credibilidade e teria condições de formar uma chapa considerada “imbatível” ao lado da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). “Ele só não será governador se não quiser”, declarou.

O presidente ainda criticou duramente o governador Romeu Zema (Novo), a quem chamou de “falso humilde”. “Ele tenta ser alguma coisa que não é. Tenta vender a humildade que não tem”, afirmou, lembrando que Zema herdou condições financeiras favoráveis após decisão do STF que suspendeu temporariamente o pagamento da dívida estadual com a União.

Democracia e fake news

Ao projetar as eleições de 2026, Lula afirmou não temer adversários, mas reforçou que o verdadeiro embate será entre democracia e desinformação. “Essas eleições serão definitivas para o país: quem quer manter o Estado Democrático de Direito ou quem quer a implantação de mentiras. Por isso não podemos permitir que fake news como as feitas sobre o Pix se tornem armas do crime organizado”, concluiu.