Lista das faculdades de medicina com nota ruim no Enamed. Nordeste tem 24, São Paulo 23 e Piauí 1. Veja!

Punições vão de suspensão de novos alunos, corte em vagas e suspensão do Fies e outros programas federais.

Mais de 100 cursos de Medicina receberam notas insatisfatórias no Enamed. O Nordeste concentra o maior número de faculdades com desempenho ruim, seguido por São Paulo. O Piauí aparece com apenas um curso mal avaliado. As instituições sofrerão punições como restrições ao Fies e redução ou suspensão de vagas.

O que aconteceu

A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) revelou que mais de 100 cursos de Medicina do país obtiveram conceitos considerados insatisfatórios pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os cursos receberam notas 1 e 2, que indicam baixo desempenho acadêmico, e estão sujeitos a penalidades administrativas.

A distribuição dos cursos com avaliação negativa mostra forte concentração regional. O Nordeste lidera a lista, com 24 faculdades de Medicina que obtiveram notas ruins no exame. Em seguida aparece o estado de São Paulo, com 23 cursos nessa situação. O Piauí também integra o levantamento, com um curso de Medicina entre os mal avaliados no Enamed.

Os dados foram apresentados oficialmente nesta segunda-feira (19), em Brasília. Antes da divulgação, uma entidade representativa das universidades particulares entrou com ação judicial para tentar barrar a publicação dos resultados, mas a Justiça negou o pedido, permitindo a divulgação integral das notas.

O Enamed é uma prova anual que avalia o desempenho dos estudantes e a qualidade da formação médica oferecida pelas instituições de ensino superior. Nesta edição, 351 cursos de Medicina foram avaliados em todo o país, e cerca de 30% deles ficaram nas faixas consideradas insatisfatórias.

Segundo o Inep, 24 cursos receberam conceito Enade 1, o mais baixo da escala, enquanto outros 83 ficaram com conceito Enade 2. Aproximadamente 89 mil estudantes participaram da avaliação, incluindo alunos concluintes e de outros períodos do curso.

Entre os cerca de 39 mil estudantes concluintes, apenas 67% alcançaram o chamado “resultado proficiente”, o que indica domínio mínimo esperado dos conteúdos avaliados. Quase 13 mil futuros médicos não atingiram esse patamar de desempenho.

A análise por tipo de instituição evidencia diferenças expressivas. As piores avaliações se concentram nos cursos de instituições públicas municipais, onde 87,5% ficaram nos conceitos 1 e 2. As instituições privadas com fins lucrativos também apresentaram desempenho fraco, com 58,4% dos cursos nessas faixas, assim como as instituições especiais, que somaram 54,6%. Entre as privadas sem fins lucrativos, cerca de um terço dos cursos teve avaliação insuficiente.

Em contraste, os melhores resultados, com conceitos 4 e 5, ficaram majoritariamente nas universidades públicas federais e estaduais. Nas federais, 87,6% dos cursos alcançaram os conceitos mais altos, enquanto nas estaduais esse índice foi de 84,7%. Instituições comunitárias e confessionais também tiveram bom desempenho, com quase metade dos cursos na faixa 4.

Os cursos que receberam conceitos 1 e 2 serão penalizados. Aqueles com conceito 2 terão redução no número de vagas ofertadas, enquanto os cursos com conceito 1 terão o ingresso de novos estudantes totalmente suspenso. Além disso, as instituições perderão acesso ao Fies e a outros programas federais.

O ministro da Educação, Camilo Santana, informou que, dos 107 cursos inicialmente enquadrados, 99 sofrerão penalidades, já que as faculdades estaduais e municipais não estão sob a gestão direta do Ministério da Educação. As instituições terão prazo para apresentar defesa.

Segundo o ministro, as medidas têm como objetivo assegurar a qualidade da formação médica e proteger a população que será atendida por esses profissionais no futuro. Ele destacou que o Enamed funciona como um instrumento de monitoramento e correção, voltado exclusivamente à melhoria do ensino médico no país.

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