Jornalistas da Globo são chamadas de put@s por Paulo Figueiredo

Fazendo referência à comentarista de economia da emissora ele a chamou de Miriam Leitoa

Paulo Figueiredo, influenciador alinhado à extrema direita e aliado da família Bolsonaro, voltou a ser alvo de críticas após a divulgação de um vídeo em que dirige ofensas misóginas a jornalistas da GloboNews. No registro, ele chama as profissionais de "putas" e "prostitutas do Lula" e afirma que a jornalista Miriam Leitão "não merece ser estuprada", reproduzindo uma frase que marcou um episódio envolvendo Jair Bolsonaro.

O que aconteceu

Um vídeo que passou a circular nas redes sociais na terça-feira (28) mostra Paulo Figueiredo atacando jornalistas da GloboNews. Nas imagens, ele associa as profissionais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirma que "todas elas são putas e prostitutas do Lula".

Em seguida, dirige-se nominalmente à jornalista Miriam Leitão e declara: "Miriam Leitão, eu jamais ia estuprar você, porque você não merece". A frase reproduz quase literalmente a declaração feita por Jair Bolsonaro contra a então deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), em 2014.

Os ataques não representam um caso isolado. Em junho, Figueiredo também atacou a jornalista Andréia Sadi, que reagiu durante uma transmissão ao vivo e classificou a conduta do influenciador como "nojenta". As declarações motivaram ainda uma representação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) à Procuradoria-Geral da República por manifestações misóginas dirigidas a mulheres, inclusive ligadas à direita e ao bolsonarismo.

Segundo o histórico citado, Figueiredo também costuma direcionar ataques a jornalistas que divulgam informações desfavoráveis à família Bolsonaro, incluindo profissionais que noticiaram bastidores relacionados ao senador Flávio Bolsonaro.

A declaração contra Miriam Leitão remete ao episódio ocorrido em dezembro de 2014, quando Jair Bolsonaro afirmou que não estupraria Maria do Rosário porque ela "não merecia". Dias depois, voltou a fazer comentários ofensivos sobre a parlamentar. Posteriormente, Bolsonaro foi condenado a pagar R$ 10 mil por danos morais. Ao manter a condenação, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a declaração extrapolou os limites da imunidade parlamentar. A ministra Nancy Andrighi afirmou que a expressão apresenta o estupro como um benefício concedido pelo agressor e desrespeita a dignidade das mulheres.

Miriam Leitão foi presa e torturada durante a ditadura militar, em 1972, quando tinha 19 anos e estava grávida do primeiro filho. Ela relatou ter sido espancada, obrigada a permanecer nua diante de agentes da repressão e deixada em uma sala escura com uma cobra. Em 2022, Eduardo Bolsonaro fez referência ao episódio ao publicar uma provocação envolvendo a cobra mencionada pela jornalista e, posteriormente, voltou a questionar os relatos de tortura.

Paulo Figueiredo é neto do general João Baptista Figueiredo, último presidente da ditadura militar brasileira. Radicado nos Estados Unidos, tornou-se aliado de Eduardo Bolsonaro e conselheiro político de Flávio Bolsonaro. Além disso, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, ao lado de Eduardo Bolsonaro, por suposta coação no curso do processo, em investigação relacionada à atuação dos dois nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e defender a aplicação de sanções contra o país.