João Gomes recusa mansão! Ele quer uma casa de campo

Cantor prefere casa rústica em vez do projeto de alto luxo

Mesmo com dinheiro, contratos milionários e a possibilidade concreta de viver em qualquer endereço “nobre” do país, João Gomes esbarrou em um limite que não é financeiro, mas simbólico. O cantor pernambucano, um dos nomes mais populares da música brasileira atual, descobriu que nem todo sonho cabe nos muros altos, nas ruas planejadas e nas fachadas padronizadas dos condomínios de luxo.

O que João buscava não era ostentação. Era memória. Era chão batido, telha antiga, alpendre largo, casa comprida, parede grossa, sombra generosa. Era o tipo de construção que não se mede em metros quadrados, mas em lembranças: aquelas casas de sertão onde o tempo anda mais devagar, onde a porta vive aberta e a conversa acontece na varanda, ao fim da tarde.

Ao tentar erguer esse sonho em Alphaville, no Recife, veio a frustração. Arquitetos recusaram o projeto. Queriam linhas retas, volumes frios, casas “quadradas”. O sertão que João traz na voz, no sotaque e na história não cabia ali. O terreno ficou. Dois, lado a lado. Vazios. Como se o dinheiro tivesse chegado antes, mas o lugar certo ainda estivesse por vir.

A decisão de ir embora daquele espaço diz muito mais sobre identidade do que sobre arquitetura. João Gomes tem recursos, tem sucesso, tem escolha. Ainda assim, escolhe não abrir mão do que o formou. No fim, foi para outra casa, simples no conceito, mas cheia de sentido: a casa comprada por Ary Meirelles para a mãe, onde coube também o casal, a rotina, o afeto.

A história revela uma contradição rara em tempos de vitrine: há quem possa tudo, mas não queira qualquer coisa. João Gomes representa uma geração que venceu, mas não se descolou da própria origem. Para ele, luxo não é vidro espelhado nem portaria blindada. Luxo é alpendre. É telha antiga. É casa que parece fotografia antiga, dessas que ainda sabem guardar silêncio, sombra e verdade.


Casa que ofereceram a João: 

              

Casa rurais, típicas da paisagem sertaneja do Nordeste brasileiro:


Obs: as fotos de casas rurais desta matéria foram reproduzidas a partir da obra: Carnaúba, pedra e barro na Capitania de São José do Piauhy, de Olavo Pereira da Silva Filho