A socióloga e primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, tem sido alvo constante de ataques de políticos ligados ao bolsonarismo. Na quinta-feira (16), o PensarPiauí noticiou o episódio ocorrido na Câmara Municipal de São Paulo, quando o vereador Adrilles Jorge (União Brasil) interrompeu a fala da colega Sílvia Ferraro (PSOL) para fazer um comentário machista e depreciativo: afirmou preferir o cabelo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao da atual, Janja Lula da Silva. O gesto, amplamente criticado, foi interpretado como mais uma tentativa da extrema-direita de atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio de sua esposa.
No domingo (19), o ataque veio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que recorreu às redes sociais para ironizar Janja após seu discurso no encerramento do Fórum Mundial de Alimentação, realizado na sede da FAO, em Roma. Na ocasião, a primeira-dama anunciou que o governo Lula enviará ajuda humanitária a milhões de palestinos afetados pela ofensiva israelense na Faixa de Gaza.
“Aproveitei a oportunidade para anunciar que o presidente Lula, que desde o início denunciou o genocídio na Faixa de Gaza, determinou que, nos próximos dias, o governo brasileiro se junte aos esforços de outros países para enviar ajuda humanitária à região. Um ato urgente de solidariedade e humanidade que representa esperança e recomeço para milhares de famílias. Afinal, a única guerra em que todos sairemos vencedores é a guerra contra a fome”, publicou Janja em seu perfil no Instagram.
A manifestação humanitária, contudo, incomodou setores da ultradireita bolsonarista, alinhados ao governo de Benjamin Netanyahu, e foi alvo de sarcasmo de Flávio Bolsonaro. “Belo gesto de patriotismo, não é?!”, escreveu o senador, em tom irônico, ao insinuar que o governo estaria negligenciando os brasileiros atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024.
O discurso do senador, porém, ignora os fatos. O governo federal destinou R$ 111,6 bilhões para a reconstrução do estado, valor 16 vezes superior ao montante de R$ 6,9 bilhões liberado pelo governo estadual, comandado por Eduardo Leite (PSD).
O episódio evidencia uma estratégia recorrente da extrema-direita: transformar ações de solidariedade internacional em alvo de ataques ideológicos, recorrendo a falsidades e distorções para desinformar a opinião pública.