IMPASSE FAMILIAR: Michelle decidiu que não participará da campanha de Flávio Bolsonaro

Ela já comunicou a decisão ao marido e a aliados

Há um distanciamento entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro, isso expõe tensões internas no PL e divergências sobre a condução da disputa ao Planalto. 00Michelle Bolsonaro decidiu não participar da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, citando mal-estar nos bastidores.

O QUE ACONTECEU 

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidiu que não participará da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). A informação foi publicada neste domingo (15) pelo jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com interlocutores, a posição já foi comunicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, embora Michelle pretenda manter postura reservada e evitar críticas públicas ao enteado durante o processo eleitoral.

Procurada, a ex-primeira-dama não se manifestou. Flávio afirmou manter diálogo direto com Michelle e negou conflitos internos, sustentando que há unidade no objetivo político do grupo.

Aliados de Michelle relatam que o distanciamento teria sido provocado por uma mensagem enviada pelo senador no mês anterior, na qual ele teria insinuado articulações contrárias à sua candidatura. Pessoas próximas afirmam que ela se sentiu desrespeitada. Apesar disso, o impasse não é considerado definitivo: um gesto de reconciliação poderia reverter o quadro.

O episódio ocorre em meio a um desgaste gradual na relação entre ambos. Interlocutores da ex-primeira-dama avaliam que ela teria sido exposta por aliados em momentos de crise. Já apoiadores de Flávio afirmam que Michelle preferiria o nome do governador Tarcísio de Freitas para encabeçar eventual chapa, com ela como vice.

A tensão ganhou novos contornos após Michelle publicar vídeo de Tarcísio com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e interagir com comentário favorável ao governador. O episódio foi criticado publicamente pelo blogueiro Allan dos Santos.

Paralelamente, Michelle deve disputar o Senado pelo Distrito Federal e concentrar esforços na própria campanha e no apoio a candidatas alinhadas a seu grupo. Ela está afastada da presidência do PL Mulher desde dezembro, oficialmente por questões médicas, em contexto marcado pela prisão de Jair Bolsonaro e pelo anúncio da pré-candidatura de Flávio ao Planalto — decisão que, segundo relatos, não teria sido previamente compartilhada com ela.

Nos palanques estaduais, a ex-primeira-dama tem adotado posições próprias. Em Santa Catarina, declarou apoio à deputada Caroline de Toni ao Senado, em movimento que pode contrariar acordos locais do PL. No Ceará, criticou eventual aproximação com Ciro Gomes e manifestou apoio ao senador Eduardo Girão. Em São Paulo, defende o nome de Rosana Valle, enquanto Eduardo Bolsonaro apoia alternativas distintas.

O desfecho do impasse poderá influenciar o grau de coesão do PL e a configuração final da disputa presidencial.