Hugo Motta empregou quatro parentes de funcionária fantasma em seu gabinete

Família recebeu R$ 2,8 mi em salários na Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), empregou, ao longo dos últimos anos, quatro parentes de Gabriela Batista Pagidis — fisioterapeuta apontada como funcionária fantasma de seu gabinete. A informação foi revelada nesta quarta-feira (16) pelo jornalista Tácio Lorran, do portal Metrópoles.

Segundo a reportagem, Gabriela recebeu mais de R$ 805,7 mil em salários como assessora parlamentar, sem, no entanto, desempenhar efetivamente suas funções no Congresso. Somando os valores pagos a ela e a seus familiares, o montante chega a R$ 2,8 milhões em recursos públicos.

Os familiares e os valores recebidos

Quatro parentes de Gabriela foram nomeados para cargos comissionados entre 2011 e 2024:

Todos atuaram como secretários parlamentares, exceto Felipe, que ocupou um Cargo de Natureza Especial (CNE). O levantamento identificou variações frequentes nos salários desses servidores, com promoções e rebaixamentos em curto intervalo, padrão considerado atípico pela Câmara.

Rotina incompatível com o cargo público

A reportagem do Metrópoles acompanhou a rotina de Gabriela e constatou que ela trabalha como fisioterapeuta em duas clínicas particulares em Brasília: no Instituto Costa Saúde (às segundas e quartas) e no Centro Clínico Bandeirantes (às terças e quintas). Na última segunda-feira (14), ela foi flagrada atendendo pacientes por volta das 10h30. Na sexta anterior (11), foi vista indo à academia pela manhã e visitando o Zoológico de Brasília à tarde — horário em que deveria estar cumprindo expediente na Câmara.

Gabriela foi nomeada como assessora de Hugo Motta em 2015, tendo anteriormente ocupado o mesmo cargo no gabinete do então deputado Wilson Filho (atualmente secretário de Educação da Paraíba). Somando os dois períodos, ela recebeu R$ 890,5 mil em salários — valor ainda maior se corrigido pela inflação.

Durante o período em que constava como assessora parlamentar, Gabriela cursava fisioterapia em tempo integral na Universidade de Brasília (UnB), das 8h às 18h, além de ter concluído duas pós-graduações no mesmo período — o que inviabilizaria sua dedicação ao cargo público.

Câmara não controla entrada de servidores com crachá

Por meio da Lei de Acesso à Informação, a reportagem solicitou registros de entrada de Gabriela na Câmara, além de informações sobre crachás e uso do estacionamento. A Câmara respondeu que o controle de frequência é de responsabilidade de cada gabinete e que não há registro de entrada de servidores com crachá. O acesso ao estacionamento depende apenas de credenciamento prévio.

Deputado não comentou o caso

Procurado, o deputado Hugo Motta não respondeu às perguntas sobre a contratação de Gabriela nem sobre os cargos ocupados por seus familiares. Sua assessoria limitou-se a emitir uma breve nota:

“O presidente Hugo Motta preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara.”