O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deve iniciar nas próximas semanas uma série de viagens pelo Brasil para promover a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil por mês. A proposta, aprovada pelo Senado na quarta-feira (5) e aguardando sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é uma das principais promessas de campanha do governo e se tornou peça-chave na estratégia de comunicação voltada às eleições de 2026.
Além de beneficiar diretamente milhões de brasileiros, o texto também prevê descontos progressivos para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350. O governo pretende usar a medida como símbolo de sua política de “justiça tributária”, bandeira que Haddad tem defendido desde o início da gestão.
De acordo com aliados do ministro, as viagens terão um duplo objetivo: divulgar o novo modelo do IR e dar visibilidade a outras políticas públicas voltadas à redução das desigualdades. A equipe de Haddad acredita que a aprovação do projeto recoloca o tema da justiça fiscal no centro do debate público, fortalecendo o governo num momento em que enfrenta críticas nas áreas de economia e segurança.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Haddad celebrou a conquista e afirmou que o projeto abre caminho para novos avanços.
“É uma avenida que vai se abrir. Todo mundo vai ganhar com esse projeto — até os que estão no andar de cima, que vão pagar um pouco mais. Ganharemos uma sociedade mais justa, que distribui melhor as oportunidades”, declarou o ministro.
A medida também é vista como uma oportunidade de recuperar a imagem de Haddad, desgastada por medidas fiscais impopulares que lhe renderam o apelido de “Taxad” pela oposição. No governo, a avaliação é que a ampliação da isenção do IR pode reverter essa percepção, associando o ministro a uma das principais conquistas sociais do terceiro mandato de Lula.
O Palácio do Planalto prepara uma cerimônia pública de sanção do projeto com a presença de autoridades e representantes da sociedade civil. O evento deve ocorrer após o retorno de Lula da COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Belém.
Em vídeo ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Lula confirmou que pretende sancionar o texto assim que voltar de viagem:
“O povo vai ficar orgulhoso de ter sido isento de pagar IR. Foi uma conquista extraordinária”, disse o presidente.
A Secretaria de Comunicação Social (Secom) e o PT já preparam campanhas para televisão e redes sociais, com o objetivo de destacar a isenção e reforçar a narrativa de que o governo faz os mais ricos contribuírem mais para beneficiar os mais pobres.
Para o núcleo político do Planalto, a pauta tributária se tornou um instrumento importante de reconexão com a classe média e os trabalhadores, fortalecendo tanto a imagem de Lula quanto a de Haddad — apontado como um dos nomes centrais do governo para o cenário eleitoral de 2026.
A aposta é que a ampliação da isenção do IR simbolize não apenas um alívio no bolso do trabalhador, mas também a renovação do vínculo entre o governo e a população, em um momento estratégico para a consolidação da popularidade de Lula.