Governo Lula reage a ameaças dos EUA de uso de força militar

Gleisi Hoffmann, afirmou nas redes sociais que a posição do governo americano representa o “cúmulo” de uma conspiração da família Bolsonaro contra o país

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificaram como grave a ameaça feita pelos Estados Unidos de recorrer até a força militar contra o Brasil. A declaração da Casa Branca ocorreu em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou ontem que o presidente Donald Trump aplicou tarifas e sanções contra o Brasil para proteger a “liberdade de expressão” e que o país não terá medo de usar o “poder econômico e militar” para defendê-la.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nas redes sociais que a posição do governo americano representa o “cúmulo” de uma conspiração da família Bolsonaro contra o país. Para ela, é “inadmissível” que os Estados Unidos cogitem intervir militarmente para impedir uma eventual prisão do ex-presidente. Gleisi destacou que não bastaram as tarifas impostas sobre exportações brasileiras e as sanções contra ministros do governo e do STF — agora, segundo ela, surge a ameaça de invasão.

Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (9), o Ministério das Relações Exteriores repudiou a manifestação da Casa Branca, que havia declarado estar preparada para usar “poder econômico e militar” em defesa da liberdade de expressão em qualquer parte do mundo. A porta-voz do presidente Donald Trump, Karoline Leavitt, justificou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades nacionais sob esse argumento.

O Itamaraty reforçou que os Três Poderes da República “não se intimidarão” diante de pressões externas e destacou que a verdadeira defesa da liberdade de expressão está em resguardar a democracia e a soberania nacional. “O governo brasileiro repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais”, diz o comunicado.

Além das críticas aos EUA, Gleisi Hoffmann cobrou a cassação do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a quem chamou de “traidor da pátria”. “Só se for a liberdade de mentir, de coagir a Justiça e de tramar golpe de Estado. Estes, sim, os crimes pelos quais Bolsonaro e seus cúmplices estão sendo julgados no devido processo legal”, escreveu a ministra em suas redes.