O governador do Piauí, Rafael Fonteles, manifestou preocupação com o impacto das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, destacando os efeitos sobre os estados do Nordeste e cobrando uma atuação firme do Governo Federal para proteger as exportações da região.
A medida, oficializada na quarta-feira (30) pelo presidente americano Donald Trump, estabelece uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, somando-se aos 10% já existentes, totalizando 50%. No entanto, cerca de 700 itens foram excluídos da nova taxação, entre eles suco de laranja, combustíveis, aeronaves civis, veículos e alguns tipos de metais e madeira.
Rafael Fonteles, que também preside o Consórcio Nordeste, enfatizou que, embora o Piauí seja pouco afetado diretamente — com menos de 5% de suas exportações destinadas aos Estados Unidos, frente aos 65% que seguem para a China — outros estados nordestinos sofrem impacto significativo. “Há estados da região cuja dependência das exportações para os EUA ultrapassa 40%. Isso evidencia a necessidade de uma resposta coordenada”, afirmou.
O governador reconheceu os esforços do Governo Federal para contestar a medida americana. “O governo já se posicionou com firmeza, sem subserviência, e já obteve recursos contra parte das tarifas. Ainda temos sete dias para intensificar o diálogo e acredito que mais produtos serão retirados do tarifaço”, declarou.
Fonteles também anunciou que o Consórcio Nordeste terá uma reunião com o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir ações integradas diante do novo cenário comercial. “Não acredito que haverá solução sem a participação do Governo Federal. Precisamos de uma estratégia conjunta”, destacou.
Como alternativa para mitigar os efeitos da nova política tarifária, o Piauí tem buscado diversificar seus mercados. “Estamos investindo na abertura de novos destinos para nossos produtos. A Investe Piauí, por exemplo, conseguiu acesso ao mercado japonês para o mel produzido no estado. Essa é uma saída para reduzir nossa vulnerabilidade”, concluiu.
A expectativa do governador é que a diplomacia brasileira consiga ampliar a lista de produtos isentos da sobretaxa, protegendo setores estratégicos para o Nordeste e preservando a competitividade dos estados exportadores.