O deputado estadual Renato Freitas (PT) reuniu cerca de 2 mil apoiadores na Praça Santos Andrade, em Curitiba, neste sábado (6), em um ato público contra o processo de cassação de seu mandato na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Batizada de "Renato Fica", a manifestação transformou a disputa parlamentar em um debate sobre democracia, representatividade, racismo, segurança pública e respeito ao voto popular.
O protesto ocorreu poucos dias após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep manter o parecer do Conselho de Ética que recomenda a perda do mandato do parlamentar petista. A decisão final, porém, ainda dependerá de votação em plenário, onde a cassação precisará do apoio da maioria absoluta dos deputados estaduais.
Ato em defesa de Renato Freitas mobiliza lideranças do PT
Durante o evento, apoiadores classificaram o processo de cassação como uma tentativa de silenciar uma das principais vozes da esquerda paranaense, destacando a trajetória de Renato Freitas como parlamentar negro, oriundo da periferia e defensor de pautas sociais.
Uma das principais lideranças presentes foi a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que afirmou que o mandato de Renato foi concedido pela população do Paraná e que sua defesa vai além da figura do parlamentar.
"Se agridem Renato, agridem essa luta e essa causa", declarou Gleisi, relacionando o processo às discussões sobre racismo estrutural, exclusão social e preconceito.
A parlamentar também associou o caso à trajetória de políticas públicas voltadas à inclusão social e racial implementadas nos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, citou programas de cotas raciais, ações afirmativas e a criação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), argumentando que a resistência enfrentada por Renato dialoga com a oposição histórica a políticas de inclusão.
Gleisi compara trajetória de Renato Freitas à de Lula
Ao discursar para os manifestantes, Gleisi Hoffmann traçou um paralelo entre a história de vida de Renato Freitas e a de Lula. A deputada destacou as dificuldades enfrentadas pelo parlamentar, sua formação em Direito e sua ascensão política.
Segundo ela, retirar um mandato conquistado nas urnas representaria uma agressão ao processo democrático.
"É uma agressão política sem precedentes a Assembleia Legislativa retirar um mandato conferido pelo voto popular", afirmou.
Glauber Braga e Arilson Chiorato reforçam apoio ao deputado
O ato também contou com a participação do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), que saiu em defesa de Renato Freitas e afirmou que o parlamentar se tornou uma referência para movimentos sociais e setores populares em todo o país.
"Os que são contra Renato não sabem com quem estão se metendo", declarou Braga.
Já o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), presidente estadual do partido no Paraná, relembrou que votou contra a admissibilidade do parecer de cassação na CCJ, ao lado da deputada Ana Júlia Ribeiro (PT), defendendo o acolhimento do recurso apresentado por Renato.
Renato Freitas critica violência policial e cobra justiça para famílias da periferia
Em seu discurso, Renato Freitas afirmou que a mobilização não tinha como objetivo apenas preservar seu mandato, mas também dar visibilidade às vítimas de políticas públicas que, segundo ele, produzem exclusão social e violência.
O deputado destacou a luta de mães que denunciam casos de letalidade policial e defendem a adoção de câmeras corporais nos uniformes das forças de segurança.
Entre os depoimentos apresentados durante o ato esteve o de Eliane Pereira da Costa, que afirmou que Renato é um dos poucos parlamentares que visitam comunidades afetadas por operações policiais e acompanham famílias que questionam versões oficiais de confrontos.
A fala ampliou o debate sobre segurança pública no Paraná e a relação entre comunidades periféricas, forças policiais e o governo estadual de Ratinho Junior.
Renato Freitas critica redes sociais e fala em "linchamento moral"
Outro tema abordado pelo deputado foi o impacto das redes sociais no debate público. Renato afirmou que plataformas digitais que prometiam ampliar o diálogo acabaram contribuindo para a disseminação de desinformação e para a formação de bolhas ideológicas.
Segundo ele, a produção de notícias falsas ocorre em "ritmo industrial" e favorece processos de linchamento moral e destruição de reputações.
Além de militantes e movimentos sociais, o ato reuniu representantes de organizações populares que consideram o processo de cassação uma forma de perseguição política.
Votação sobre cassação de Renato Freitas será decisiva na Alep
Com o encerramento da manifestação, o foco volta agora para a Assembleia Legislativa do Paraná. A votação em plenário definirá se o parecer do Conselho de Ética será confirmado ou rejeitado pelos deputados estaduais.
Para Renato Freitas e seus aliados, a decisão representará um teste para a democracia, para a representatividade política e para a convivência institucional com vozes de oposição. Já para os defensores da cassação, o julgamento será a oportunidade de avaliar se houve quebra de decoro parlamentar que justifique a punição máxima prevista pelo regimento da Casa.
A expectativa é de que o caso continue mobilizando o debate político paranaense e ganhe repercussão nacional à medida que a votação definitiva se aproxima.