A cúpula do PL tem se articulado para proteger o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), das sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras. De acordo com informações publicadas por Bela Megale em O Globo, mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Jair Bolsonaro (PL) pediu ao filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos EUA, que evitasse qualquer crítica ao magistrado.
O gesto foi interpretado como uma tentativa de preservar o principal canal de interlocução do partido com a Corte. Nos bastidores, dirigentes como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reforçam que a manutenção dessa ponte é estratégica. “Seria muito ruim ter Gilmar sancionado. Ele é nosso principal canal de conversa com o Supremo. Não podemos perder isso”, disse um integrante da legenda ao jornal.
Segundo O Globo, o ministro se reuniu recentemente com Valdemar, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e o senador Rogério Marinho (PL-RN) em um café da manhã em Brasília. Posteriormente, manteve outros contatos, sobretudo por telefone, para assegurar que as medidas adotadas pelo governo norte-americano não afetariam o funcionamento do STF.
Em evento do grupo Esfera, em São Paulo, na última segunda-feira (25), Gilmar reconheceu que foi citado nas conversas entre Jair e Eduardo Bolsonaro, mas minimizou o episódio. Disse que o pedido do ex-presidente para poupá-lo de ataques reflete sua postura histórica de dialogar com diferentes espectros políticos. “Todos sabem que eu converso com todos os lados da política há muito tempo”, afirmou.
A Polícia Federal apontou ainda que, em 27 de junho, Eduardo Bolsonaro enviou três arquivos ao pai, cujo conteúdo não foi recuperado. Jair teria vetado a divulgação, reforçando a orientação: “Não. Esqueça qualquer crítica ao Gilmar”. Em outra mensagem, o ex-presidente relatou que ministros do STF demonstravam preocupação com as sanções americanas, aplicadas com base na Lei Magnitsky.
Na mesma ocasião, Gilmar saiu em defesa de Alexandre de Moraes, alvo preferencial de Eduardo Bolsonaro e de aliados do ex-presidente. “Não tem nenhuma justificativa para a aplicação dessa legislação draconiana contra Alexandre de Moraes ou contra qualquer outro colega que está cumprindo as suas funções”, afirmou.
O decano ressaltou ainda que não há divisões internas na Corte e destacou a atuação de Moraes como determinante para conter a tentativa de ruptura institucional. “Talvez nós não estivéssemos aqui hoje, não fora a ação do ministro Alexandre de Moraes, de sua liderança”, concluiu.