A Copa do Mundo é, ao mesmo tempo, um dos maiores espetáculos esportivos do planeta e um dos eventos mais lucrativos da indústria do entretenimento. A FIFA, entidade responsável pela organização do torneio, frequentemente é alvo de críticas por sua estrutura de poder, por sucessivos escândalos de corrupção envolvendo dirigentes e pelo modelo de negócios que prioriza a geração de receitas bilionárias. Em diversas ocasiões, a entidade também foi acusada de adaptar decisões aos interesses políticos e econômicos dos países-sede e de governos influentes, alimentando o debate sobre a crescente mercantilização do futebol.
Sob essa perspectiva, é difícil negar que o futebol profissional tenha se transformado em uma poderosa engrenagem do sistema capitalista. Clubes, seleções, patrocinadores, emissoras de televisão e plataformas digitais movimentam cifras bilionárias, fazendo do esporte muito mais do que uma simples competição. Esse fenômeno pode ser observado tanto na Europa quanto nas Américas e em praticamente todos os continentes.
Entretanto, mesmo diante dessas críticas, existe um aspecto do futebol que permanece praticamente imune à lógica do mercado: a paixão dos torcedores. É justamente esse sentimento que faz da Copa do Mundo um evento único, capaz de mobilizar milhões de pessoas e despertar emoções que ultrapassam fronteiras.
A prova disso foi vista na rodada das fases eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. O modesto Paraguai surpreendeu o planeta ao eliminar a poderosa Alemanha, uma das maiores vencedoras da história do torneio. Assim que a classificação foi confirmada, milhares de paraguaios tomaram as ruas de Assunção para celebrar uma das maiores vitórias da história recente do futebol do país. As imagens da festa rapidamente ganharam as redes sociais e mostraram que, em uma Copa do Mundo, nem sempre o favoritismo prevalece.
Mas poucas seleções conseguem despertar uma mobilização comparável à da Seleção Brasileira. A cada quatro anos, o Brasil praticamente interrompe sua rotina para acompanhar o desempenho da equipe nacional. Ruas ficam enfeitadas, famílias se reúnem diante da televisão e milhões de brasileiros acompanham cada lance carregando a esperança de conquistar mais um título mundial.
Na era da internet, porém, tornou-se evidente que essa paixão não pertence apenas aos brasileiros. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram multidões comemorando os gols da Seleção em países distantes como Bangladesh e Paquistão. Crianças vestindo a camisa amarela, torcedores cantando músicas brasileiras e ruas tomadas por bandeiras verde-amarelas revelam que o fascínio pelo futebol brasileiro ultrapassa idiomas, culturas e continentes.
Esse carinho internacional não nasceu por acaso. Durante décadas, o Brasil construiu uma identidade própria dentro do futebol. O chamado "futebol-arte", marcado pela criatividade, habilidade e alegria, transformou a Seleção Brasileira em uma referência mundial. Muito além dos cinco títulos mundiais, o Brasil tornou-se sinônimo de espetáculo dentro de campo.
Naturalmente, é importante manter um olhar crítico sobre os interesses econômicos, políticos e comerciais que cercam o futebol moderno. O esporte movimenta grandes negócios e, muitas vezes, decisões importantes são influenciadas por fatores que vão além das quatro linhas. Reconhecer essa realidade não significa abandonar a paixão pelo jogo.
Pelo contrário. Talvez o grande encanto do futebol esteja justamente na capacidade de sobreviver às estruturas de poder que o cercam. Enquanto dirigentes discutem contratos milionários, torcedores continuam comemorando vitórias improváveis, chorando derrotas e transmitindo às novas gerações um sentimento que dinheiro algum consegue comprar.
E para finalizar, rendo minha homenagens a quem deixou esta maravilhosa herança: "O futebol fez Messi ser grande; Pelé fez o futebol ser grande"
Obrigado, Rei Pelé. O futebol mundial continua colhendo os frutos do legado que você deixou.