O Banco Central identificou seis fundos de investimento ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que aparecem tanto em denúncias de fraudes financeiras quanto nas investigações sobre a infiltração do PCC na economia formal. Juntos, os fundos somam mais de R$ 100 bilhões em patrimônio e são administrados pela Reag.
O que aconteceu
O Banco Central encaminhou ao Ministério Público Federal uma denúncia envolvendo seis fundos de investimento — Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna — suspeitos de integrar um esquema de fraudes atribuído a Daniel Vorcaro. De acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários, esses fundos reúnem patrimônio líquido de R$ 102,4 bilhões.
Todos são administrados pela Reag, parceira histórica de Vorcaro, e também aparecem nas investigações da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025. A operação apura a atuação financeira do PCC em setores como combustíveis e mercado financeiro. Na ocasião, a sede da Reag foi alvo de busca e apreensão.
Entre os ativos mapeados está o Fundo Galo Forte, ligado ao Astralo 95, usado por Vorcaro para manter participação no Clube Atlético Mineiro. A apuração também identificou investimentos em debêntures da Reag, CDBs do Banco Master e até o imóvel utilizado pelo banqueiro em Brasília.
O Astralo 95 ainda detém certificados físicos de ações do antigo Besc, incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Esses papéis, de baixa liquidez, chamaram a atenção dos investigadores.
Outro relatório do Banco Central apontou falhas graves em operações realizadas entre julho de 2023 e julho de 2024 em fundos estruturados por Master e Reag. As suspeitas incluem a revenda de créditos inexistentes e um esquema de superavaliação de ativos para inflar artificialmente os balanços. A investigação indica uso de laranjas e possível lavagem de ao menos R$ 11,5 bilhões, recursos que teriam origem em CDBs vendidos a clientes do Banco Master.