Frei Gilson foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo por supostas falas discriminatórias contra pessoas LGBT+ e mulheres. A representação, feita por Brendo Silva, reúne declarações atribuídas ao religioso em homilias, entrevistas e redes sociais. O caso ainda está em análise, sem investigação formal aberta.
O que aconteceu
Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo foi alvo de uma representação encaminhada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), na qual é acusado de proferir declarações consideradas discriminatórias contra pessoas LGBT+ e mulheres. A denúncia foi apresentada por Brendo Silva, jornalista, escritor e ex-noviço, e se baseia em falas atribuídas ao sacerdote em diferentes contextos, como pregações religiosas, entrevistas e conteúdos publicados nas redes sociais.
De acordo com o material divulgado inicialmente pelo site Metrópoles, a representação aponta que Frei Gilson teria utilizado termos como “homossexualismo” e associado a homossexualidade a expressões como “desordem”, “contrariedade à lei natural” e “depravação grave”. Para o autor da denúncia, tais declarações ultrapassam os limites da liberdade religiosa e contribuem para reforçar estigmas contra a população LGBT+. Um dos trechos destacados afirma que “liberdade religiosa não é liberdade para odiar”, defendendo que discursos com grande alcance não devem legitimar ideias de inferioridade ou desvio.
A denúncia também inclui críticas a falas do religioso sobre mulheres. Vídeos de uma de suas pregações, que circularam novamente em abril, geraram reações políticas e nas redes sociais. Entre as manifestações, houve críticas públicas de autoridades, que classificaram o conteúdo como ofensivo. Esse episódio se soma a controvérsias anteriores, como declarações feitas em 2025 nas quais Frei Gilson defendeu a submissão feminina, gerando ampla repercussão.
O caso ocorre em um contexto mais amplo de preocupação com violência contra minorias sexuais e de gênero no Brasil. A representação menciona a importância de considerar esse cenário ao avaliar o impacto de discursos públicos. Canais oficiais de denúncia, como o Disque 100, registram casos recorrentes de violações de direitos humanos contra a população LGBTQIA+.
No âmbito jurídico, o Brasil adota como referência a decisão do Supremo Tribunal Federal, de 2019, que enquadrou a homofobia e a transfobia como crimes de racismo até a aprovação de legislação específica. Em São Paulo, há ainda normas estaduais e municipais que proíbem práticas discriminatórias com base em orientação sexual e identidade de gênero.
O Ministério Público de São Paulo deverá analisar se há elementos suficientes para abertura de procedimento. Nessa etapa inicial, o órgão pode verificar a veracidade das falas, o contexto em que ocorreram e se configuram indícios de discriminação. O caso pode resultar em arquivamento, solicitação de mais informações ou instauração de investigação.
Frei Gilson é um religioso com grande alcance nas redes sociais, o que amplia a repercussão do caso. Seu conteúdo digital reúne milhares de seguidores e aborda temas religiosos, comportamentais e sociais, o que aumenta o impacto potencial de suas declarações no debate público.
Até o momento, não há manifestação pública do religioso ou de sua defesa sobre a denúncia. Assim, o caso permanece como uma representação em análise, sem decisão ou investigação formal anunciada pelo Ministério Público.