FOGO NO PARQUINHO BOLSONARISTA: entenda a briga entre o senador Cleitinho e Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro reage a críticas e reforça planos de disputar a Presidência em 2026

Planejando se lançar à Presidência da República como sucessor político do pai, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu com irritação às declarações do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), que considerou “imprudente” a candidatura do parlamentar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao Metrópoles, Cleitinho avaliou que Eduardo “perderia contra Lula”, justificando que “o candidato tem que estar no Brasil para poder fazer campanha”, em referência ao fato de o deputado estar morando nos Estados Unidos.

Em resposta, Eduardo atacou o senador mineiro pelas redes sociais: “Imprudente foi darmos a vaga do Senado para você. Mas muitos dos nossos erros serão corrigidos”, escreveu no X (antigo Twitter), em tom de ironia.

O embate entre os dois, que já vinham trocando farpas, repercutiu entre aliados bolsonaristas. Cleitinho, que havia dito não apoiar automaticamente qualquer nome indicado por Jair Bolsonaro, ainda elogiou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo, afirmando que ele é “extremamente preparado” para disputar o Planalto. A declaração acentuou a divisão interna no campo bolsonarista.

Após a repercussão negativa, Cleitinho foi ao plenário do Senado e às redes sociais para pedir desculpas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando reconhecer o erro: “Meu pai sempre me ensinou a ser homem e reconhecer quando a gente erra. Venho aqui pedir perdão ao nosso querido ex-presidente Bolsonaro.”

O senador reiterou sua gratidão e lealdade ao ex-presidente, mas manteve a posição de que não votará “necessariamente” no candidato apoiado por ele. “Sou muito grato ao Bolsonaro e não estou o abandonando. Sempre defendi sua honra e da família dele aqui no Senado. Nunca darei as costas a ele”, declarou.

Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro tenta consolidar sua pré-candidatura, apresentando-se como alternativa da direita à inelegibilidade do pai, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O deputado também desmentiu, nesta quinta-feira (23), uma reportagem da revista Oeste que condicionava sua candidatura à decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos): “Há alguns meses venho dizendo exatamente o inverso, que minha candidatura não depende do Tarcísio. E reafirmo!”

Nos bastidores do PL e do centrão, entretanto, o nome de Eduardo não aparece entre os favoritos para disputar o Planalto. Uma ala do partido defende a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como principal aposta eleitoral, enquanto outra considera Tarcísio de Freitas o nome mais viável para enfrentar Lula. Apesar de o governador paulista negar publicamente interesse em concorrer, aliados tratam sua declaração com ceticismo. Também aparecem no radar os governadores Ratinho Jr. (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) — todos com ambições nacionais, mas sem a projeção desejada pelo bolsonarismo.

Em meio a disputas e vaidades internas, Eduardo Bolsonaro tenta se firmar como o herdeiro político do pai e o rosto de uma nova geração da extrema direita, mas enfrenta resistência dentro do próprio campo que ajudou a construir.