Em análise publicada pelo jornalista Reinaldo Azevedo, do Metrópoles, destaca-se que Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, já ameaçou o país com a possibilidade de um golpe de Estado caso o STF considere inconstitucionais medidas como indulto ou anistia. A declaração não foi retirada até hoje, o que mantém viva a ameaça. Não se trata de interpretação subjetiva, mas de um registro factual. Nesse contexto, surge uma provocação inquietante sobre quem será o primeiro a perguntar “liberdade para quê?” no Brasil, frase destacada como chave para reflexões posteriores.
Azevedo observa que, com o Supremo Tribunal Federal no centro da cobertura política, o que ele chama de “risco Flávio” vem sendo negligenciado pela imprensa. Cria-se a impressão de que os desafios do período pós-eleitoral se limitam à economia, uma leitura que o jornalista considera distorcida. Ele critica parte da cobertura jornalística que, ao mirar excessivamente o tribunal, adota postura complacente com figuras autoritárias. Ainda que não acredite na vitória dessas forças, ressalta a intensidade de sua atuação.
O articulista sintetiza sua posição ao afirmar que, em um regime democrático, há liberdade para enfrentar disputas econômicas. Sem democracia, ou com ela enfraquecida, interesses particulares tendem a se impor como verdades absolutas.
Em outro ponto, ele comenta um vídeo em que Flávio Bolsonaro aparece em ambiente familiar, sendo descrito pela esposa como um “Bolsonaro moderado” que teria sido “reeducado”. O próprio pré-candidato se define como um “Bolsonaro vacinado”. Para Azevedo, há aí um reconhecimento implícito de que o bolsonarismo em sua forma original apresenta riscos, sendo necessário suavizá-lo.
A análise ganha contornos irônicos e trágicos ao lembrar que a pandemia de Covid-19 matou centenas de milhares de brasileiros. O STF, segundo o jornalista, teve papel decisivo ao impor medidas que evitaram um número ainda maior de mortes. Nesse cenário, a metáfora do “Bolsonaro vacinado” é questionada. Estaria ele realmente imune ao golpismo ou à intolerância?
Azevedo também menciona críticas da extrema direita, que acusam a esquerda de forjar um embate entre democracia e autoritarismo para esconder problemas econômicos. Ele rebate questionando qual seria, de fato, o projeto econômico de Flávio Bolsonaro, apontando alinhamentos internacionais e ausência de propostas claras. Mesmo que existisse um plano econômico robusto, questiona se ele seria compatível com uma agenda de enfraquecimento institucional.
O jornalista amplia a crítica à imprensa, sugerindo um retrocesso em sua postura histórica diante do autoritarismo. Para ele, há sinais de tolerância preocupante com ataques à democracia, como se certas lições do passado não tivessem sido plenamente assimiladas.
A reflexão culmina com a referência ao filme “Mephisto”, de István Szabó, que retrata a sedução de um artista pelo poder autoritário na Alemanha nazista. A obra serve como metáfora para discutir concessões feitas em nome de ambições pessoais e a corrosão de valores fundamentais.
Encerrando, Reinaldo Azevedo alerta para o risco de setores da sociedade passarem a relativizar a importância da democracia, perguntando, ainda que implicitamente, “democracia para quê?”. Para ele, essa é uma pergunta que jamais deveria ser considerada aceitável.