O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força em ano eleitoral e expôs divergências entre o governo federal e o empresariado. Enquanto o Planalto defende a redução da jornada para 40 horas semanais, entidades patronais alertam para aumento de custos, risco à competitividade e impactos sobre setores intensivos em mão de obra.
O que aconteceu
A discussão sobre o fim da jornada 6×1, em que o trabalhador atua seis dias e folga um, tornou-se prioridade do governo federal. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou propostas sobre o tema à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), com previsão de análise em plenário até maio.
Como Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o texto inicia tramitação na CCJ, que avalia sua constitucionalidade. Se admitida, segue para comissão especial, onde pode ser modificada, e depois ao plenário da Câmara, onde precisa de ao menos 308 votos em dois turnos. No Senado, são necessários 41 votos. PECs não dependem de sanção presidencial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu a medida entre as prioridades para 2026, junto à regulamentação do trabalho por aplicativos. A ministra Gleisi Hoffmann reafirmou apoio à jornada máxima de 40 horas semanais e ao modelo 5×2. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, classificou a escala 6×1 como “a mais cruel” e avaliou que a mobilização popular pode impulsionar a aprovação, especialmente em ano eleitoral.
Entidades empresariais, como a CNI e a CNT, manifestaram resistência. Alegam que a redução pode elevar custos, exigir novas contratações e afetar a competitividade, sobretudo em comércio, serviços, construção e transporte. Defendem negociação coletiva e eventual implementação gradual, acompanhada de medidas de compensação econômica.