A extrema-direita brasileira continua enfrentando impasses na definição de seu representante para as eleições presidenciais de 2026. Com Jair Bolsonaro inelegível e sob risco iminente de prisão, aumentam as disputas internas entre membros da própria família Bolsonaro, governadores aliados e figuras do centrão.
Nesta quarta-feira (24), uma coluna do site Metrópoles agitou os bastidores bolsonaristas ao afirmar que Jair Bolsonaro teria fechado apoio à candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência da República. A informação é da jornalista Andreza Matais.
Segundo a coluna, o aval de Bolsonaro a Tarcísio teria sido articulado junto a lideranças do PP e do União Brasil. O único passo restante, conforme apurou a jornalista, seria a definição da data do anúncio oficial. Tarcísio, inclusive, tem visita marcada ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, no dia 29 de setembro.
A orientação, por ora, seria que Tarcísio mantenha o discurso de que concorrerá à reeleição em São Paulo, ao menos até que o acordo seja oficialmente anunciado.
Reações imediatas dos filhos de Bolsonaro
A notícia provocou forte reação entre os filhos do ex-presidente, que se apressaram em desmentir a informação nas redes sociais. O primeiro a se pronunciar foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Apesar de negar que seu pai tenha declarado apoio a Tarcísio, Flávio publicou uma mensagem ambígua nas redes, elogiando o governador e sinalizando uma aliança para 2026.
"Acabei de sair da casa do presidente Bolsonaro e a matéria abaixo, obviamente, é mentirosa. Aviso aos navegantes que Tarcísio, além de amigo, é uma pessoa preparadíssima, competente e não precisa ficar provando nada a ninguém, especialmente sobre sua lealdade a Bolsonaro. Não conseguirão separá-lo de Bolsonaro e tenham a convicção de que estaremos juntos em 2026, para desespero da extrema-esquerda, que deve morrer de inveja de não ter um Tarcísio em seus quadros. Estamos juntos, Tarcisão!", escreveu o senador.
Logo depois, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) também reagiu, embora de forma mais sucinta:
"Eu estava com ele hoje, não ouvi nada disso! Enfim...", escreveu em suas redes.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que enfrenta uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por coação e pode ter seu mandato cassado, optou por repostar as mensagens dos irmãos. Em entrevista ao Metrópoles, declarou que, se o pai for impedido de disputar a eleição, ele próprio será o candidato.
"Eu sou, na impossibilidade de Jair Bolsonaro, candidato a presidente da República", afirmou.
Michelle também entra no jogo
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também entrou no radar da sucessão presidencial. Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, publicada nesta quarta-feira (24), Michelle afirmou que pode se candidatar em 2026 “para cumprir a vontade de Deus”, caso Jair Bolsonaro “definhe” na prisão após sua possível condenação — que pode chegar a 27 anos e 3 meses — por tentativa de golpe de Estado.
A reportagem, intitulada "Michelle Bolsonaro: Eu me levantarei como uma leoa enquanto meu marido definha na cadeia", destaca que a ex-primeira-dama se diz pronta para assumir um papel político se for necessário.
“Me levantarei como uma leoa para defender os nossos valores conservadores, a verdade e a justiça. Se, para cumprir a vontade de Deus, for necessário assumir uma candidatura política, estarei pronta para fazer o que Ele me pedir”, declarou.
Michelle também comentou o momento delicado vivido pela família. Segundo ela, Bolsonaro enfrenta um quadro de saúde fragilizado, incluindo um diagnóstico de câncer de pele, condição amplamente divulgada por seus filhos, numa tentativa de evitar sua prisão no Complexo da Papuda.
“Minha total atenção está voltada para cuidar das minhas filhas e do meu marido neste momento delicado, para que esta perseguição e humilhação que nos são impostas como brasileiros conservadores não destrua a minha família ou as famílias de tantos outros injustamente alvos desta perseguição covarde”, disse.
A ex-primeira-dama ainda atacou o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre a tentativa de golpe no Supremo Tribunal Federal (STF), acusando-o de agir como "juiz, vítima, promotor e investigador". Também culpou o presidente Lula pelo “caos” no país.
"O governo Lula parece ter a intenção de provocar o caos no Brasil e depois atribuí-lo a Trump, a fim de explorar um cenário caótico que, na realidade, foi criado por suas próprias políticas", afirmou.
O Telegraph ainda destacou a mudança de postura do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, após Lula — que Bolsonaro teria tentado derrubar — fazer um discurso condenando tentativas de minar a democracia brasileira.
“‘Tivemos uma química excelente’, disse Trump. ‘É um bom sinal’”, lembrou o jornal.