Isolados até mesmo dentro da própria direita e frustrados com o fracasso da narrativa da anistia junto ao governo dos Estados Unidos, os irmãos Eduardo (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-RJ) voltaram a recorrer às redes sociais para espalhar novas mentiras sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo: tentar azedar a recente aproximação entre Lula e Donald Trump e reacender um discurso de confronto ideológico entre Brasil e EUA.
Em 22 de setembro, Trump assinou um decreto classificando o movimento Antifa como “organização terrorista doméstica”, após prometer medidas contra grupos de esquerda em resposta ao assassinato do ativista armamentista Charlie Kirk, ocorrido em 10 de setembro. Embora o ato tenha alcance interno, existe a possibilidade de o ex-presidente norte-americano estender o enquadramento para o plano internacional — o que, segundo a legislação dos EUA, poderia justificar ações externas sob o pretexto de combate ao terrorismo.
Foi nesse contexto que Carlos Bolsonaro tentou colar a pecha de “terrorista” em Lula, numa tentativa de incitar Trump contra o Brasil. Em publicações nas redes — também em inglês — o vereador chamou o presidente brasileiro de “marxista”, “globalista”, “ateu” e “aliado do Partido Comunista Chinês”, afirmando, falsamente, que Lula seria um “inimigo do Ocidente judaico-cristão”. A declaração, além de mentirosa, ignora a reiterada profissão de fé cristã feita por Lula em diversas ocasiões. Literalmente ele escreveu no X: "Lula é um marxista, um aliado do Partido Comunista Chinês, um ateu e um globalista que rejeita os valores que formaram o Ocidente. Sua visão de mundo é materialista e sem Deus, o que o coloca em oposição direta aos fundamentos da civilização judaico-cristã. Por isso, é correto afirmar: Lula é um inimigo do Ocidente judaico-cristão. O Brasil é uma nação cristã. Os Estados Unidos são uma nação cristã. E ambos precisam permanecer firmes na defesa desses valores diante do avanço do marxismo global em plena metamorfose de forma unida diariamente", postou, delirante, o filho "02" de Jair Bolsonaro, um adepto da visão ignóbil de Olavo de Carvalho.
Pouco depois, Eduardo Bolsonaro reforçou a ofensiva ao publicar uma imagem de Lula ao lado do presidente venezuelano Nicolás Maduro — que, durante o governo Trump, foi classificado como chefe de “organização narcoterrorista” para justificar possíveis ações armadas na Venezuela. “Lula representa uma ameaça aos Estados Unidos, assim como seu aliado narcoditador Nicolás Maduro. Se os EUA já enfrentam problemas com a Venezuela, imagine com o Brasil, que tem 210 milhões de habitantes”, escreveu o deputado.
As declarações de Eduardo e Carlos refletem o isolamento crescente da família Bolsonaro no cenário internacional. Desde a reaproximação diplomática entre Lula e Trump, que incluiu um telefonema cordial e o anúncio de encontros entre chanceleres dos dois países, os filhos do ex-presidente tentam reacender o clima de hostilidade que sustentou o bolsonarismo durante os anos de Donald Trump na Casa Branca. O problema é que, agora, nem mesmo nos círculos conservadores norte-americanos os Bolsonaro encontram a mesma acolhida de antes.