Filho de Onyx Lorenzoni atuou para entidade suspeita de fraudes contra aposentados do INSS

Advogado Pietro Lorenzoni prestou serviços à Unibap, ligada a empresários, que acumula condenações por descontos indevidos na farra do INSS

Filho do ex-ministro da Previdência Social Onyx Lorenzoni (Progressistas), o advogado Pietro Lorenzoni atuou para uma das entidades envolvidas na chamada “farra dos descontos indevidos” sobre aposentadorias do INSS. Trata-se da União Brasileira de Aposentados da Previdência (Unibap), que firmou acordo em abril de 2021, período em que Onyx ocupava a Secretaria-Geral da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro (PL). Meses depois, em julho, Onyx assumiria o comando do Ministério da Previdência.

O nome de Pietro aparece em documentos entregues pelo INSS à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o esquema. Segundo o advogado, seu escritório prestava “serviços em direito administrativo”, como a redação de atas de assembleias, ofícios e minutas. Ele afirma ter sido convidado por uma ex-professora de faculdade e nega envolvimento direto nas reuniões. Apesar disso, a Unibap, cliente de Pietro, arrecadou cerca de R$ 180 milhões por meio dos descontos, acumulando condenações em diferentes estados por cobranças feitas a aposentados que alegam nunca ter se filiado à entidade.

A associação, com sede em Águas Claras (DF), já teve o sigilo quebrado pela CPMI e foi alvo da Controladoria-Geral da União (CGU). Em processos recentes na Justiça de São Paulo — em cidades como Serrana, Jaú e Sorocaba —, a Unibap apresentou fichas de filiação cujas assinaturas foram contestadas pelos próprios aposentados. Como a entidade costuma não arcar com os custos das perícias, tem sido condenada a indenizar idosos. Embora seja formalmente presidida por um aposentado, a Unibap é controlada pelos empresários Gutemberg Tito e Zacarias Canuto Sobrinho, donos de clubes de benefícios e de correspondentes de crédito consignado, ambos também condenados por práticas semelhantes.

Relatórios da CGU revelam ainda que a entidade não apresentou documentos de filiação em sua sede e alegou que estavam armazenados em um “storage” em São Paulo. Em entrevistas, 100% dos aposentados ouvidos pelos auditores negaram ter firmado contrato com a Unibap. Em um episódio revelador, a associação anexou por engano ao INSS fichas de outra entidade, a Abenprev, usada como prova de filiações. Posteriormente, a própria presidente formal da Unibap chegou a solicitar autorização para realizar filiações por telefone — prática proibida por lei.

A Abenprev, hoje rebatizada como Ampaben, também aparece no esquema e teria movimentado R$ 83 milhões com descontos irregulares. Pietro Lorenzoni, por sua vez, passou a se destacar nos últimos anos como advogado de uma associação ligada ao lobby das casas de apostas em Brasília e chegou a ser contratado pelo PL por R$ 200 mil, conforme dados do TSE. Seu pai, Onyx Lorenzoni, foi convocado a depor na CPMI do INSS e figura em investigações após receber R$ 60 mil de um ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), outra entidade investigada pela Polícia Federal.