Farra do INSS: alvo da PF, Nelson Wilians doou para integrante da CPMI

Advogado Nelson Wilians, alvo de operação da PF contra as fraudes no INSS também já doou dinheiro para políticos do PT e PSD

Alvo da operação da Polícia Federal (PF) que prendeu o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e o empresário Maurício Camisotti, o advogado Nelson Wilians (aparece entre os nomes ligados a doações eleitorais relevantes. Em 2018, ele repassou R$ 10 mil para a campanha do atual líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), então candidato a deputado federal.

Marinho, que foi secretário especial da Previdência no governo Jair Bolsonaro e hoje integra a CPMI do INSS, é um dos parlamentares que investigam as fraudes bilionárias envolvendo descontos indevidos em aposentadorias. A comissão também já discutiu a convocação de Wilians, investigado pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro em favor de Camisotti, apontado como beneficiário final de entidades usadas no esquema.

A doação de Nelson Wilians a políticos não se restringe a Marinho. Desde 2014, ele repassou valores a nomes como João Doria, Antonio Anastasia, Marco Aurélio Bertaiolli, Emidio de Souza, Beto Richa e Frederico Cantori Antunes. No caso da CPMI, contudo, Marinho é o único membro — titular ou suplente — que recebeu recursos do advogado.

A defesa de Wilians afirma que sua relação com um dos investigados se restringe à esfera profissional, e que os valores questionados referem-se à compra de um terreno em São Paulo, transação descrita como lícita e de fácil comprovação. Já a defesa de Camisotti sustenta que sua prisão foi arbitrária e promete recorrer.

Segundo o Metrópoles, Nelson Wilians movimentou R$ 4,3 bilhões em operações consideradas suspeitas entre 2019 e 2024. Entre elas, aparece o repasse de R$ 15 milhões a Maurício Camisotti. Esses dados embasaram requerimentos na CPMI para que o Coaf envie relatórios financeiros sobre o advogado e para que ele preste depoimento, pedidos que ainda aguardam apreciação.

Procurado, Rogério Marinho disse que a doação recebida em 2018 “foi realizada observando todos os procedimentos legais” e representa apenas 0,5% do total de gastos de sua campanha, ressaltando que não interfere em sua atuação parlamentar.