Fantástico conta as tensões durante o voo do “caso do assento do avião”

Veja as versões das três principais pessoas envolvidas

Um incidente ocorrido a bordo de um voo comercial gerou grande repercussão após um vídeo viralizar nas redes sociais. Na reportagem exibida ontem pelo Fantástico, da Rede Globo, o programa trouxe os diferentes pontos de vista sobre o caso envolvendo Jeniffer Castro, uma bancária que se recusou a trocar de lugar no avião para que uma criança ocupasse o assento na janelinha da aeronave. A situação provocou debate sobre empatia, direitos e regras de viagem.

O que aconteceu?

Jeniffer havia reservado previamente uma poltrona na janela para o voo que a levaria de volta ao seu destino. O voo era do Galeão (RJ) para Cofins (MG). Ao chegar em seu assento, havia uma criança, ela se identificou para a mãe da criança e pediu o lugar que era seu por direito. A mãe retirou a criança do local e ela foi sentar-se na janelinha da mesma fileira de Jeniffer, do lado oposto. Passado alguns instantes, a criança começou a chorar e exigir sentar-se na primeira poltrona que havia ocupado.

Jeniffer recusou o pedido, afirmando que havia escolhido e pago por aquele assento específico e que não era sua responsabilidade resolver problemas de alocação de lugares.

A cena foi filmada por uma passageira. As imagens rapidamente viralizaram, dividindo opiniões na internet.

Os diferentes lados da história

O Fantástico ouviu as três principais pessoas envolvidas: Jeniffer Castro, a mãe da criança e a passageira que registrou o ocorrido.

Jeniffer justificou sua decisão alegando que não era obrigada a ceder o assento. “Reservei aquele lugar com antecedência justamente para ter mais conforto durante o voo. Entendo a situação da mãe, mas a responsabilidade de organizar os assentos é da companhia aérea, não minha”, disse ela ao programa. A bancária afirmou ainda que se sentiu constrangida pela insistência em torno do fato e pela exposição públicação do vídeo.

Aline Rizzo, mãe da criança envolvida, foi erroneamente identificada como a responsável pela filmagem. Em desabafo, ela negou ter gravado o vídeo e falou sobre as ameaças que sofreu após a repercussão do caso. "Eu não agredi, não xinguei, não filmei. Foi outra passageira. E eu estou sendo odiada, atacada, ameaçada, xingada, ofendida", desabafou Aline, que viajava com seus filhos e mais algumas pessoas.

Por fim, a mulher que gravou o vídeo Eluciana Íris Almeida Cardoso, de 54 anos, advogada, nutricionista clínica, produtora cultural e escritora residente em Belo Horizonte, disse estar arrependida com o caso que viralizou nas redes sociais. De acordo com Eluciana - que foi candidata a vereadora de Belo Horizonte pelo partido Cidadania em 2016 e tentou uma vaga como deputada estadual de Minas Gerais pelo Podemos em 2018, sem sucesso - a tensão no voo tomou conta dela e a situação a fez perder o controle. "Parecia que eu estava saindo do meu corpo. Eu fiquei com o meu coração com taquicardia", disse ela ao Fantástico. "Peço desculpas pra Jeniffer. Peço desculpas pra Aline. Pro Arthur. Pra família. Pra minha filha. Peço desculpas pra mim", ressaltou Eluciana, reconhecendo que poderia ter agido de forma diferente.

 Debate e reflexões

O caso dividiu opiniões nas redes sociais. Alguns defenderam Jeniffer, afirmando que ela exerceu um direito garantido. Outros criticaram sua postura, considerando-a pouco solidária diante de uma situação envolvendo uma criança.

Enquanto isso, Jeniffer declarou que está processando a mulher que divulgou o vídeo por danos morais, afirmando que foi exposta de forma injusta.

Eluciara Iris que responsável pela gravação se disse arrependida e pediu desculpas a todos os envolvidos.

 O episódio também gerou críticas à Gol Linhas Aéreas, que se pronunciou informando que a tripulação não foi acionada durante o incidente e que a troca de assentos deve ser solicitada apenas em casos relacionados à segurança operacional