Ex-secretário indicado por Flávio Bolsonaro é preso em operação contra CV

Investigação aponta venda de influência e favorecimento ao Comando Vermelho com participação de agentes públicos

A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (9) o ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, durante a Operação Anomalia. A investigação apura um grupo suspeito de negociar vantagens indevidas e vender influência para beneficiar o Comando Vermelho. Ele já estava detido por outra acusação relacionada ao mesmo caso.

O que aconteceu

A Polícia Federal cumpriu mandado de prisão contra o ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, no âmbito da Operação Anomalia, realizada nesta segunda-feira (9). A ação é mais uma etapa de investigações que apuram a atuação de um núcleo criminoso suspeito de negociar vantagens indevidas e vender influência para favorecer interesses do Comando Vermelho, uma das maiores facções do estado.

Carracena havia sido indicado para o cargo no governo Cláudio Castro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Esta é a segunda ordem de prisão contra ele, que já estava detido por outra acusação relacionada ao mesmo inquérito.

Advogado, Carracena também ocupou funções na administração municipal do Rio, como diretor de operações em uma autarquia, presidente do Fundo Especial de Ordem Pública, presidente do Conselho Administrativo da Guarda Municipal e integrante do Gabinete de Crise da cidade durante a pandemia. Ele é considerado próximo do secretário estadual do Consumidor, Gutemberg Fonseca, aliado político de Flávio Bolsonaro.

Além da prisão de Carracena, a operação cumpre três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro, além de medidas cautelares, como o afastamento de funções públicas. As decisões foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os detidos está o delegado federal Fabrizio José Romano.

Segundo a PF, as provas indicam a existência de uma associação criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública e ao favorecimento de interesses ligados ao tráfico de drogas.

A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para fortalecer ações de inteligência e repressão contra grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos e políticos.

Mensagens obtidas pela PF na Operação Zargun, em novembro do ano passado, indicam que integrantes do Comando Vermelho tentavam influenciar o policiamento por meio de contatos com Gutemberg Fonseca. Em um diálogo, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão e apontado como integrante da facção, relatou a Carracena que havia se reunido com Fonseca para apresentar demandas e solicitar “cobertura política”.