A Polícia Federal investiga o repasse de R$ 1,3 milhão de empresas ligadas ao grupo Refit ao ex-secretário-executivo da Casa Civil Jonathas Assunção. A apuração embasou a Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15), e levou o STF a autorizar busca e apreensão contra o ex-auxiliar de Ciro Nogueira.
O que aconteceu
As investigações da Polícia Federal que resultaram na Operação Sem Refino apontam que Jonathas Assunção, ex-secretário-executivo da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, recebeu R$ 1,3 milhão de empresas vinculadas ao grupo Refit, do empresário Ricardo Magro. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
Assunção atuou diretamente ao lado do senador Ciro Nogueira durante a gestão do parlamentar na Casa Civil. Depois de deixar o governo, passou a trabalhar junto ao grupo Refit, sendo reconhecido no setor de combustíveis como responsável pela área de relações institucionais da empresa.
Segundo a PF, o grupo teria utilizado “empresas de passagem” para movimentar recursos e dificultar o rastreamento financeiro. A principal delas seria a Sary Consultoria e Participações Ltda., ligada a Jonathas Assunção.
A investigação aponta que a empresa foi aberta em 17 de março de 2025 com capital social de R$ 1.000. Apenas duas semanas depois, recebeu R$ 1,3 milhão de empresas relacionadas ao grupo Refit, entre elas Roar Inovação, Fera Lubrificantes e Flagler.
De acordo com os investigadores, os valores foram posteriormente transferidos para a conta pessoal de Assunção, identificado como beneficiário final dos recursos.
Com base nos indícios reunidos, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou mandado de busca e apreensão na residência do ex-secretário da Casa Civil.
Jonathas Assunção já havia sido alvo da Operação Poço de Lobato, realizada em novembro do ano passado. Antes de atuar no grupo Refit, ele também representou Ciro Nogueira no conselho de administração da Petrobras.
Nos bastidores do setor de combustíveis, circula a informação de que Assunção teria sido indicado ao grupo Refit por Ciro Nogueira, que mantém proximidade com Ricardo Magro.
Em entrevista à Folha em 2025, Ricardo Magro afirmou considerar o senador um amigo, mas negou ter utilizado a relação para obter vantagens empresariais.
A reportagem informou ainda que tentou contato com Jonathas Assunção, mas não conseguiu localizá-lo. As assessorias de Ricardo Magro e de Ciro Nogueira também foram procuradas, mas não se manifestaram até a publicação da notícia.
As investigações também citam a atuação de Ciro Nogueira durante a tramitação do projeto de lei do devedor contumaz. Segundo a PF, o senador apresentou emendas que poderiam beneficiar empresas do setor de combustíveis ao reduzir punições para grupos econômicos de áreas reguladas, como o petróleo.
O projeto discutido no Congresso buscava endurecer regras contra empresas acusadas de operar sem recolher impostos.
No início deste mês, Ciro Nogueira também foi alvo de outra operação da Polícia Federal relacionada ao caso do Banco Master. Na ocasião, o senador foi alvo de busca e apreensão por suspeitas de ter despesas pagas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. A investigação também apura se o parlamentar atuou em defesa de interesses do banco no Congresso Nacional.