A polícia italiana localizou e deteve, nesta quarta-feira (1º), Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele foi levado a uma delegacia e submetido a medidas cautelares que restringem sua mobilidade, impedindo-o de deixar a região onde se encontra. Segundo sua defesa, não se trata de uma prisão formal, mas de uma restrição de deslocamento.
Tagliaferro é alvo de um pedido de extradição expedido por Moraes após ser acusado de vazar informações sigilosas do Supremo Tribunal Federal (STF). A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Desde então, o ex-assessor deixou o Brasil e passou a viver na Itália, país do qual também possui cidadania.
“Estou na polícia. Não vou ser preso. Só fui notificado”, afirmou Tagliaferro ao site Auriverde Brasil, alinhado ao bolsonarismo. A detenção ocorreu no mesmo dia em que ele deveria depor, por videoconferência, a uma comissão da Câmara dos Deputados, onde tem feito denúncias contra Moraes e outras autoridades envolvidas em investigações sobre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 2022, Tagliaferro foi nomeado por Moraes como chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. Após sua exoneração, rompeu com o ministro e passou a se alinhar ao grupo bolsonarista, tornando-se personagem em acusações de supostos abusos no combate à desinformação nas redes.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) o denunciou por divulgar mensagens internas do gabinete de Moraes. Em agosto, o Ministério da Justiça acionou o Itamaraty para comunicar oficialmente o pedido de extradição ao governo italiano, que agora está sob análise da Justiça local.
Além da denúncia, Tagliaferro também teve contas bancárias bloqueadas no Brasil. Ele chegou a declarar que viajaria aos Estados Unidos com o objetivo de pressionar autoridades americanas a adotar sanções contra Moraes.
Especialista em perícia computacional, Tagliaferro trabalhou em diversos tribunais antes de assumir o cargo no TSE.