Eu não perdi um sobrinho, eu perdi um irmão!

Com quem vou conversar agora ?

Ele era filho de minha irmã. Oficialmente, era meu sobrinho.

Mas eu nasci em dezembro, passou janeiro e ele nasceu em fevereiro. Éramos de anos diferentes, mas tínhamos praticamente a mesma idade. E, nessa condição, brincamos muito quando crianças. Brincamos muito porque tínhamos os mesmos gostos.

Quando jovens, rodamos bastante ao redor da mesa de sinuca que ficava na budega de Nezim, seu pai. Passávamos horas jogando ali: eu, ele e João.

Com o tempo, ele foi passear em São Paulo e eu fui mostrar aquela cidade enorme para ele. Não faltou a tradicional foto de dois nordestinos na Praça da Sé.

Depois, vim morar em Teresina. Durante um tempo, dividi quarto com ele e com João. Agora, era a vez de ele me mostrar Teresina — e ele fez isso. Primeiro, em um Corcel II cor de vinho; depois, em um moderno Ford Escort, o carro esportivo da época.

Nos momentos de folga, eu ia para a lanchonete da Praça Rio Branco e passava horas conversando com ele. 

Quando o cabelo crescia, íamos ao salão do Bento, depois, ao salão do Juscelino.

Para as festas da Bocaina, combinávamos de comprar as roupas juntos, um dando palpite nas escolhas do outro.

Depois, apareceram Rosângela e Esmeralda. E os nossos encontros passaram a ter outros formatos.

Ele teve uma lanchonete na rua Areolino de Abreu. E, pertinho dali, na rua David Caldas, eu tinha uma fotocopiadora. Cedinho, deixava Tarcísio no Dom Barreto e ia para a lanchonete dele esperar o horário comercial. Ali, era um cafezinho e mais um monte de conversa. Em muitos e muitos dias, a refeição do meio-dia também era ali.

Para a formatura do Bruno, ele aceitou meu convite e dirigiu o carro comigo no trecho Teresina–Araguaína-Teresina. Quis levá-lo a outra jornada ao volante. Dessa vez, seria em João Pessoa — mas não deu. Ele foi atender ao chamado de Deus.

Nos últimos anos, de vez em quando, ele aparecia à noite em minha casa. Um tira-gosto, uma cervejinha e mais conversas. A última vez foi há pouco tempo, nem três meses atrás. Numa dessas visitas, quando a pandemia já arrefecia, de lá de casa fizemos uma chamada de vídeo para Francimar, em São Paulo. Boas risadas, bons momentos.

Terça-feira, 21 de outubro recebi um telefonema que me gelou. Ele havia morrido.

Pedro de Sousa Barros, morreu! 

Eu não perdi um sobrinho, eu perdi um irmão!