Em 2025, estados governados pela oposição ao presidente Lula lideraram a dependência da União para quitar dívidas garantidas. O Tesouro pagou cerca de R$ 11 bilhões, concentrados em Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás, todos no Regime de Recuperação Fiscal.
O que aconteceu
Estados administrados por partidos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva concentraram, em 2025, os maiores volumes de dívidas honradas pela União. No total, o governo federal desembolsou cerca de R$ 11 bilhões para pagar parcelas de empréstimos estaduais garantidos, evitando inadimplência junto a bancos e organismos internacionais, segundo relatório da Secretaria do Tesouro Nacional.
Os maiores beneficiários foram Rio de Janeiro (R$ 4,69 bilhões, governador Cláudio Castro), Minas Gerais (R$ 3,55 bilhões, governador Romeu Zema), Rio Grande do Sul (R$ 1,59 bilhão, governador Eduardo Leite) e Goiás (R$ 888,06 milhões, governador Ronaldo Caiado). Todos são governados por oposicionistas e integram o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), mecanismo voltado a estados em grave crise financeira.
Quando um estado não consegue honrar um financiamento com garantia federal, a União assume o pagamento para preservar a credibilidade do país. No RRF, os entes recebem alívio imediato, como a suspensão temporária de dívidas com a União e o socorro em operações garantidas. Em troca, precisam cumprir um plano de ajuste fiscal com limites de gastos, restrições salariais, privatizações e reformas administrativas. As dívidas não são perdoadas, mas refinanciadas em prazos longos, de até 360 meses, e as contragarantias não são executadas durante o regime.
Desde 2016, a União já pagou R$ 86,52 bilhões em garantias e recuperou apenas R$ 5,9 bilhões. A maior parte do valor honrado está concentrada em estados do RRF. Em dezembro de 2025, o Tesouro quitou R$ 1,48 bilhão, sobretudo para Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Os dados evidenciam uma contradição política: governadores críticos à política econômica federal dependem do Tesouro como fiador de última instância para manter as contas em dia e evitar impactos no crédito público.
Com informações do Metrópoles