ESCÂNDALO: Mendonça freia cassação de governador bolsonarista de RR após contrato com seu instituto

O governo de Roraima contratou, por R$ 273 mil, o Instituto Iter — organização privada fundada pelo próprio Mendonça

O ministro André Mendonça, que integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu o julgamento que pode levar à cassação do governador de Roraima, Antonio Denarium (PP). A suspensão ocorreu após vir à tona que o governo estadual contratou, por R$ 273 mil, o Instituto Iter — organização privada fundada pelo próprio Mendonça, conforme revelou a colunista Malu Gaspar, do Globo.

O contrato foi firmado em 18 de fevereiro entre o secretário de Licitação e Contratação do estado, coronel Everson Cerdeira, e o CEO do Iter, Victor Godoy, ex-ministro da Educação no governo Bolsonaro e aliado de Mendonça. Segundo o documento, o instituto deveria realizar capacitação de servidores públicos de Roraima. O site e as redes oficiais do Iter apresentam Mendonça como fundador e divulgador da marca. O acordo teve duração de seis meses e já estava concluído quando o ministro pediu vista pela primeira vez, em agosto.

A ação que pode cassar Denarium foi movida pela coligação da ex-prefeita Teresa Surita (MDB), derrotada nas eleições de 2022. O governador é acusado de abuso de poder político e econômico durante a campanha, incluindo distribuição de cestas básicas, aumento de gastos com publicidade oficial e reformas de residências de eleitores.

A relatora do processo, ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação do governador e de seu vice, Edilson Damião (Republicanos), além da convocação de novas eleições no estado. Mendonça então solicitou vista, interrompendo o julgamento. O prazo regimental de 60 dias expirou no último sábado (1º), mas ainda faltam cinco votos para a conclusão do caso, o que pode empurrar o desfecho para 2026, último ano de mandato de Denarium.

Antonio Denarium, empresário do agronegócio e do setor imobiliário, foi eleito em 2018 pelo PSL, impulsionado pela onda bolsonarista, e reeleito em 2022. André Mendonça chegou ao STF em 2021, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro, que havia prometido nomear um ministro “terrivelmente evangélico” para a Corte. Antes disso, Mendonça ocupou os cargos de ministro da Justiça e advogado-geral da União durante o governo Bolsonaro.