Entre o remédio e a omissão: dois governos, duas respostas à vida

A diferença de atuação de Lula e Bolsonaro frente a crises na saúde pública

O governo Lula reagiu de forma imediata ao surto de intoxicações por metanol: em 2 de outubro de 2025, quando o balanço oficial ainda registrava 48 casos em investigação, o Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação nacional para monitorar ocorrências e coordenar respostas com estados e forças de segurança. No mesmo período, a Anvisa abriu chamamento internacional para identificar fornecedores do antídoto fomepizol. Nos dias seguintes, a pasta anunciou a compra emergencial de 2.500 unidades de fomepizol e o envio de 12 mil ampolas de etanol para a rede pública, com a chegada das primeiras remessas prevista para a semana subsequente. Em 4 e 5 de outubro, o ministério já atualizava o quadro para 127 notificações (11 confirmadas) e reforçava que os antídotos estavam garantidos em centros de referência. 

O contraste com a fase crítica da pandemia de Covid-19, sob Jair Bolsonaro, está documentado. A Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado registrou que a Pfizer procurou o governo brasileiro repetidas vezes a partir de agosto de 2020 oferecendo doses e entregas ainda em 2020, sem obter resposta tempestiva. Enquanto essas ofertas eram ignoradas, o Brasil alcançou a marca de 200 mil mortes por Covid-19 em 7 de janeiro de 2021. As tratativas com a farmacêutica avançariam meses depois, quando o país já enfrentava colapso hospitalar em diversas capitais. 

Em síntese: diante de um surto ainda na casa das dezenas de ocorrências, a atual gestão aciona estrutura nacional, mobiliza regulação e garante aquisição de antídotos; na pandemia, com a tragédia já em curso e ofertas iniciais sobre a mesa, o governo de então retardou a resposta a um insumo-chave — a vacina. A diferença de tempos e de prioridades ajuda a explicar os desfechos de cada crise.