Antonio Rueda, presidente do União Brasil, está organizando uma comemoração de três dias em Mykonos, uma das ilhas mais badaladas da Grécia, para celebrar seus 50 anos. “Mykonos nos espera” é a frase que acompanha o convite enviado via WhatsApp a aliados e amigos, como revelou a colunista Malu Gaspar, de O Globo.
A festa está programada para ocorrer de 1º a 4 de agosto, com uma agenda repleta de eventos exclusivos: jantares refinados, festas em locais de alto padrão e apresentação do DJ sul-africano Black Coffee. Os eventos acontecerão em lugares como a vila de luxo En Kyanó e o prestigiado SantAnna Beach Club.
Comando político e cifras bilionárias
Rueda lidera o União Brasil, um dos maiores partidos do Congresso, com 60 deputados federais, controle de um fundo partidário de R$ 107,2 milhões e um fundo eleitoral de R$ 536 milhões em 2024. A legenda também ocupa quatro ministérios no governo Lula (PT) e estuda uma federação com o PP, de Ciro Nogueira, que soma mais 51 parlamentares. Apesar da presença no governo, a aliança considera se afastar do Planalto antes das eleições de 2026.
Três dias de luxo
O cronograma da festa inclui:
Sexta-feira (1º/8): jantar de boas-vindas na En Kyanó, com traje branco exigido, drinks ao pôr do sol e menu especial;
Sábado (2/8): “The Party”, com dress code “boho chic” e música até a madrugada;
Domingo (4/8): encerramento no SantAnna Beach Club, com apresentação de Black Coffee em área reservada aos convidados.
A En Kyanó é descrita em seu site como um “estado de espírito”, com capacidade para 18 hóspedes, piscina de borda infinita aquecida, sauna, sala de oxigenação, concierge 24h e acesso a restaurantes estrelados. Os preços não são divulgados. O SantAnna, por sua vez, exige consumo mínimo de 100 euros por pessoa e tem no cardápio itens como bife wagyu (R$ 5,1 mil) e champanhes de até R$ 168 mil.
“Cada convidado paga sua parte”, diz Rueda
Apesar de ter encaminhado os convites pessoalmente, Rueda negou que tenha feito o envio formal. Ele afirmou que a festa foi organizada por sua família: “Vou completar 50 anos e minha família resolveu celebrar com amigos e familiares. Cada convidado paga sua passagem, hospedagem e escolhe como participar. Inclusive, minha família por parte de pai reside lá”.
Ele ainda disse que ficará hospedado em outro hotel e que a reserva dos locais foi feita por sua esposa.
Poder político e polêmicas
Natural de Pernambuco, Rueda é advogado e iniciou sua carreira política ao lado de Luciano Bivar, mas rompeu com o aliado ao assumir o comando do União Brasil em 2023, com apoio da ala oriunda do DEM. A disputa foi marcada por denúncias, inclusive sobre o incêndio de casas de Bivar em Porto de Galinhas (PE).
Desde então, Rueda consolidou influência no Centrão, embora tenha sido atingido indiretamente pela Operação Overclean, da Polícia Federal. A investigação prendeu José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, apontado como operador de desvio de emendas e ligado a Rueda e ao vice-presidente do partido, ACM Neto.
A operação chegou ao Supremo Tribunal Federal após o nome do deputado Elmar Nascimento (União-BA), aliado de Rueda, ser citado. O caso está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques — que já participou de outra festa com Rueda em Mykonos, no aniversário do cantor Gusttavo Lima, em 2023. Na ocasião, a celebração virou escândalo após o cantor e dois convidados, incluindo o dono da casa de apostas Vai de Bet, serem alvo de ordem de prisão. Gusttavo foi indiciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa, mas o caso acabou arquivado.
União Brasil sob pressão
O envolvimento de figuras centrais do partido em escândalos preocupa os bastidores de Brasília. A PF encontrou mensagens de Moura negociando cargos com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), e também mencionou assessores do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em pedidos de verba emergencial de R$ 14 milhões no fim de 2023.
Rueda, que já se apresenta como “Tony Rueda” nas redes sociais, é pré-candidato à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro em 2026. A festa milionária na Grécia expõe o contraste entre o acesso dos partidos a recursos públicos bilionários e a realidade da maioria da população brasileira.