O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) instaurou um procedimento interno para investigar um suposto plano de atentado contra a desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer, responsável pela relatoria da Operação Mensageiro, uma das maiores investigações de combate à corrupção já realizadas no estado.
A suspeita veio à tona após a deflagração da Operação DNA do Crime, realizada em 2 de junho, que teve como alvo empresários investigados por suposta participação em uma organização criminosa. A ação é considerada um desdobramento da Operação Mensageiro e também foi autorizada pela magistrada.
As investigações apuram indícios de enriquecimento ilícito envolvendo empresários que respondem a processos e condenações relacionadas a crimes de corrupção e fraudes em licitações públicas. Segundo as autoridades, alguns dos investigados continuam mantendo contratos com órgãos públicos.
Suposto atentado contra desembargadora foi identificado dentro do sistema prisional
De acordo com informações apuradas pelo Tribunal de Justiça, o suposto plano contra a desembargadora teria sido descoberto dentro do sistema prisional catarinense. A investigação está sendo conduzida pelo Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do próprio TJ-SC.
Um dos sete presos na Operação DNA do Crime teria comentado sobre a existência de um plano para monitorar a rotina e os deslocamentos da magistrada. As informações levantadas indicam que os suspeitos estariam acompanhando os hábitos da desembargadora para viabilizar a ação criminosa.
Até o momento, os investigadores ainda não identificaram quem seria o eventual mandante do atentado. Entre as hipóteses analisadas está a possibilidade de que os envolvidos pretendiam simular um acidente de trânsito para encobrir o crime.
Acidente sofrido por desembargadora em 2023 volta ao radar
A nova investigação também trouxe à tona um acidente de trânsito envolvendo Cinthia Schaefer em março de 2023. Na ocasião, a desembargadora viajava em um veículo oficial do Tribunal de Justiça pela BR-101, em Itajaí, acompanhada por um motorista.
Ambos sofreram apenas ferimentos leves e o caso foi tratado pelas autoridades como um acidente comum, sem qualquer indício de ação criminosa. Por isso, nenhuma investigação específica foi aberta naquele momento.
Com a descoberta do suposto plano de atentado, porém, o episódio passou a ser citado entre os elementos analisados pelos órgãos de inteligência, embora não exista, até agora, qualquer comprovação de ligação entre os fatos.
Tribunal de Justiça reforça segurança da magistrada
Procurado para comentar o caso, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina confirmou a existência da investigação, mas ressaltou que o procedimento tramita sob sigilo.
Em nota, o órgão informou que não irá se manifestar sobre o conteúdo das apurações para não comprometer o andamento dos trabalhos investigativos. O TJ-SC também confirmou que medidas adicionais de segurança foram adotadas para proteger a desembargadora.
Até o momento, Cinthia Schaefer não se pronunciou publicamente sobre o caso.
O que é a Operação Mensageiro?
Deflagrada em 2022, a Operação Mensageiro investiga um amplo esquema de supostas irregularidades em contratos de coleta de lixo e serviços de limpeza urbana em diversos municípios de Santa Catarina.
Desde o início da operação, a desembargadora Cinthia Schaefer atua como relatora do caso e foi responsável por autorizar uma série de medidas cautelares, incluindo a prisão de 17 prefeitos catarinenses, além de servidores públicos e empresários investigados.
Atualmente, todos os prefeitos presos durante a operação respondem aos processos em liberdade e negam qualquer participação em irregularidades.
Ao longo de seis fases da investigação, a Operação Mensageiro resultou em 45 prisões preventivas, 316 mandados de busca e apreensão e processos envolvendo 66 investigados por supostos crimes contra a administração pública.
Quem é Cinthia Bittencourt Schaefer?
Natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Cinthia Bittencourt Schaefer é formada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Ela assumiu o cargo de desembargadora do Tribunal de Justiça de Santa Catarina em fevereiro de 2017.
Nos últimos anos, tornou-se uma das principais figuras do Judiciário catarinense devido à sua atuação em investigações de grande repercussão relacionadas ao combate à corrupção e à fiscalização de contratos públicos.
Os 17 prefeitos que a desembargadora mandou prender
Os 17 prefeitos de Santa Catarina mandados prender pela desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer foram alvos da Operação Mensageiro.
Embora Santa Catarina já registre um histórico de 30 prefeitos presos em diferentes operações, a lista específica dos 17 prefeitos detidos nas fases da Operação Mensageiro sob as ordens da magistrada contempla:
- Adilson Lisczkovski – Prefeito de Major Vieira (Patriota)
- Adriano Poffo – Prefeito de Ibirama (MDB)
- Alfredo Cezar Dreher – Prefeito de Bela Vista do Toldo (Podemos)
- Antônio Ceron – Prefeito de Lages (PSD)
- Antônio Rodrigues – Prefeito de Balneário Barra do Sul (PP)
- Armindo Sesar Tassi – Prefeito de Massaranduba (MDB)
- Ari Wollinger (Ari Bagúio) – Prefeito de Ponte Alta do Norte (PL)
- Clézio José Fortunato – Prefeito de São João do Itaperiú (MDB)
- Deyvisonn Souza – Prefeito de Pescaria Brava (MDB)
- Felipe Voigt – Prefeito de Schroeder (MDB)
- Joares Ponticelli – Prefeito de Tubarão (PP)
- Luis Antonio Chiodini – Prefeito de Guaramirim (PP)
- Luiz Carlos Tamanini – Prefeito de Corupá (MDB)
- Luiz Henrique Saliba – Prefeito de Papanduva (PP)
- Luiz Shimoguri – Prefeito de Três Barras (PSD)
- Marlon Neuber – Prefeito de Itapoá (PL)
- Vicente Corrêa Costa – Prefeito de Capivari de Baixo (PL)