Em ato no Pará, Michele chama Lula de “cachaceiro sem-vergonha”

Ela subiu o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante sua fala, ela se referiu a Lula com adjetivos ofensivos, chamando-o de “irresponsável”, “mentiroso”

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi o principal nome entre os bolsonaristas que participaram/participam, neste domingo (3), de manifestações em pelo menos 15 capitais brasileiras em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela escolheu Belém (PA) como palco de seu discurso, contrariando aliados que esperavam sua presença na Avenida Paulista, em São Paulo, para representar politicamente o marido, impedido de sair de casa aos finais de semana, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Michelle discursou por volta das 11h, num evento que teve início previsto para as 8h, e subiu o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante sua fala, ela se referiu a Lula com adjetivos ofensivos, chamando-o de “irresponsável”, “mentiroso” e “cachaceiro sem-vergonha”. “Ele não é macho para assumir as suas falas”, disparou.

A ausência de Michelle em São Paulo gerou incômodo no entorno bolsonarista. O gesto foi interpretado por parte da militância como desarticulação política e falta de liderança no momento em que Bolsonaro, impedido de sair de casa nos fins de semana e proibido de usar redes sociais, tenta mobilizar sua base em meio a um cenário de pressão jurídica e isolamento.

As manifestações ocorreram em várias cidades do país, com destaque para os atos no Rio de Janeiro e em Brasília. Na capital fluminense, os protestos começaram pela manhã com a presença de bandeiras dos Estados Unidos e faixas com agradecimentos ao ex-presidente Donald Trump. “Vamos fazer barulho para o Trump, ele é brabo”, disse Alexandre Isquierdo, secretário estadual de Envelhecimento Saudável do Rio e aliado do pastor Silas Malafaia, ao microfone no carro de som.

Cartazes com mensagens em inglês e apelos ao ex-presidente norte-americano também marcaram o tom do evento. “SOS Trump help the people of Brasil, save Bolsonaro, Bolsonaro 2026”, dizia um dos cartazes. Outros traziam frases como “Thank you Trump” e um banner com os dizeres “BolsoTrump” e “TrumpNaro”.

Na Esplanada dos Ministérios, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), responsável pela organização do ato em Brasília, afirmou que a manifestação tinha como objetivo “dar voz a quem foi calado”, em alusão às restrições impostas a Bolsonaro. A ministra do STF, Alexandre de Moraes, foi o principal alvo dos manifestantes, que entoaram coros exigindo sua saída da Corte.

A deputada Carol de Toni (PL-SC), líder da minoria na Câmara, afirmou em seu discurso que “o povo derrubou Dilma e agora vai derrubar Moraes do STF”. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também foi criticado por não ter colocado em pauta a votação da anistia a Bolsonaro. Durante fala do senador Izalci Lucas (PL-DF), a militância reagiu com gritos de “fora, Motta”.

As manifestações deste domingo evidenciam a tentativa do bolsonarismo de reagrupar forças nas ruas, apesar do cerco judicial e da falta de consenso interno. A ausência de Bolsonaro e a dispersão de lideranças em diferentes estados, no entanto, revelam os limites da mobilização em meio às dificuldades enfrentadas pelo ex-presidente e seu grupo político.